Uma varanda para dormir
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de fevereiro de 2003
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
Morar em lugares pouco convencionais nem sempre é sinônimo de conforto. Em muitos casos, trata-se da única opção visualizada num momento de desespero. Abrigar-se num pedacinho de varanda de uma casa vazia, à mercê da chuva e do frio, por exemplo, é antes de tudo constrangedor.
A. C., 36 anos, representante comercial, está há mais de dois meses morando na varanda de uma casa disponível para locação na área central de Londrina. A moradia improvisada resume-se a um canto protegido por uns pedaços de madeira e lona plástica, onde A. C. estende um pedaço de espuma e um cobertor usado que ganhou no Albergue Noturno. Nos muitos dias de chuva registrados em janeiro, foi impossível fugir da umidade.
O representante comercial veio de Foz do Iguaçu com a promessa de emprego numa rádio local. Deixou para trás mulher e uma filha de seis meses. ''Minha família nem sonha com a vida que estou levando aqui. Mas não quero voltar para Foz. Lá fiquei de agosto a novembro sem conseguir um bico sequer.'' O pouco dinheiro que tem conseguido ganhar, como segurança noturno em construções, A. C. manda para a mulher.
Assim que chegou em Londrina, ele procurou o Albergue Noturno, onde passou uns três dias. Preferiu sair e procurar um lugar para ficar sozinho. ''Lá tem gente de todo jeito. Não aguentei.'' Vivendo uma situação inusitada até então, A. C. tem se virado como pode. As refeições têm se restringido a macarrão instantâneo, capuccino e leite em pó, feito com a água quente que consegue usando um ''rabicho''.
O banheiro, assim como a pia usada para lavar roupa e tomar banho (de caneca), são emprestados pelo dono de um bar vizinho. ''Sempre tive endereço fixo. Nunca me imaginei passando por uma situação como essa.'' A esperança do representante comercial é conseguir um emprego fixo para que possa alugar uma casa e trazer a família para Londrina.


