O secular conflito palestino-Israelense estremece novamente o mundo, desta vez com uma escalada de violência nunca antes vista. O Oriente Médio nunca esteve tão mortal para os seus filhos.

Como muita gente, nós também temos o nosso sonho de paz para esse triste conflito. Uma solução de paz, sensata e racional que sonhamos juntos. Sonhamos todos nós, o mesmo sonho.

Um sonho de uma paz duradoura, que pode ser alcançada desde que ambos os lados entendam e aceitem seus ganhos, e também suas perdas nesse processo.

Não há ganhador e perdedor num processo como esse. Se um perder todos perdem. Então podemos escolher entre ganhadores e ganhadores ou perdedores e perdedores, porque, mantendo aceso o conflito sempre haverá uma resposta, cedo ou tarde há de haver uma resposta, e outra, e mais outra, e outra mais, num ciclo sem fim.

Também não existe solução possível com um povo ocupando dois territórios separados. A solução, em uma área historicamente conflagrada, exige territórios únicos e contínuos para ambos os lados.

O momento, com a existência da Faixa de Gaza e das áreas dos assentamentos de ocupação na Cisjordânia, nos oferece uma chance única para uma permuta, com ganhos e perdas para ambos os lados. Porém, estamos certos de que, vários países do planeta darão o necessário apoio financeiro para que ambos os lados saiam ganhadores nesse processo.

O nosso (sonho) plano em sete etapas:

1- Cessam imediatamente todos os combates, libertam e devolvem todos os reféns. Desmobilizam todas as forças em postos de combate e cessam todas as hostilidades.

2- Todos os palestinos presos por Israel serão libertados, levados para a Cisjordânia e entregues à Autoridade Palestina, depois de assinarem uma declaração de paz e de reconhecimento legítimo do Estado de Israel.

3- É criado e legalmente constituído o Estado da Palestina, no território da Cisjordânia, que será reconhecido pelo Estado e pelo povo de Israel, pelo Estado da Jordânia e por todos os demais países, como um estado legítimo, com direito a existência pacífica de seu povo.

4- Todos os colonos israelenses, que ocupam os assentamentos judaicos na Cisjordânia, num processo com tempo determinado, coordenado por Israel, e financeiramente apoiado por todos os outros países, são levados das colônias na Cisjordânia em direção ao estado de Israel, mais especificamente à região próxima da Faixa de Gaza e suas imediações, onde se inicia imediatamente, um processo de reconstrução e reassentamento; eles serão recebidos por seus irmãos israelenses e apoiados financeiramente por todos os países da região e todos os outros países que quiserem contribuir para o processo de paz, para o processo de reassentamento e de reinício da vida em paz e prosperidade nessa região. Israel, Palestina, Egito e Jordânia, que tiveram suas perdas nesse processo de paz, não são obrigados a participarem desse financiamento.

5- Todos os palestinos da Faixa de Gaza, num processo com tempo determinado, coordenado pela ONU, e financeiramente apoiado por todos os outros países, são levados da Faixa de Gaza para a Cisjordânia, mais especificamente para as imediações das antigas colônias de assentamento, onde se inicia imediatamente um processo de reconstrução e reassentamento; eles serão recebidos por seus irmãos palestinos e apoiados financeiramente por todos os países da região e todos os outros países que quiserem contribuir para o processo de paz, para o processo de reassentamento e de reinício da vida em paz e prosperidade nessa região. Israel, Palestina, Egito e Jordânia, que tiveram suas perdas nesse processo de paz, não são obrigados a participarem desse financiamento.

6- Jerusalém oriental passará a ser administrada conjuntamente pela ONU e por uma força conjunta de países, incluindo israelenses e palestinos, criada especificamente com essa finalidade, e também com a finalidade de aproximar todos os países e todos os povos e envolvê-los na segurança e na preservação conjunta da paz e de todos os seus centros religiosos. Jerusalém não será capital de nenhum dos dois estados, Israel e Palestina, que abrem mão dessa reivindicação em favor do processo de paz.

Tel Aviv, continuará sendo a capital do Estado de Israel, e os palestinos decidirão qual será a sua capital.

7- O Estado de Israel, incluindo o território da Faixa de Gaza, será reconhecido pelo Estado e pelo povo da Palestina, pelo Estado do Egito, e também por toda comunidade dos países árabes, como um estado legítimo, com direito a existência pacífica de seu povo.

Uma situação terrível como a que estamos vivendo no oriente médio é muito triste e até revoltante o sofrimento provocado por ambos os lados a ambos os lados, mas é também uma oportunidade, uma esperança de encontrarmos um caminho definitivo para uma paz duradoura.

Acreditamos que essas etapas, presentes em nosso plano, se cumpridas integralmente, podem nos conduzir a uma realidade bem melhor do que essa que vivemos atualmente. Dois estados únicos, contínuos e limítrofes que se respeitam, e que respeitam sobre tudo o direito do outro de existir, de ambos coexistirem enfim, e como consequência direta disso, terem uma convivência pacífica.

Luís Alberto Casadei Abumussi, médico; e José Carlos Oliveira Arruda, jornalista.

***

Os artigos, cartas e comentários publicados não refletem, necessariamente, a opinião da Folha de Londrina, que os reproduz em exercício da sua atividade jornalística e diante da liberdade de expressão e comunicação que lhes são inerentes.

COMO PARTICIPAR| Os artigos devem conter dados do autor e ter no máximo 3.800 caracteres e no mínimo 1.500 caracteres. As cartas devem ter no máximo 700 caracteres e vir acompanhadas de nome completo, RG, endereço, cidade, telefone e profissão ou ocupação.| As opiniões poderão ser resumidas pelo jornal. | ENVIE PARA [email protected]