Declarações presunçosas de agentes governamentais são muito frequentes. A última foi do ministro da Saúde, José Temporão, ao mencionar, ufano, que Barack Obama está pensando num programa que tem semelhança com o nosso Sistema Único de Saúde (SUS), embora o mandatário norte-americano não tenha mencionado isso. Se o plano é bom (e gratuito) no sentido de atendimento à saúde pública de escala, a funcionalidade do modelo brasileiro é precária. Pelas razões que hospitais, médicos e pacientes conhecem.
Ontem, repetindo a amostragem de uma deficiência antiga, este Jornal mostrou como vai mal o serviço de saúde aos carentes, tomando o exemplo do Pronto-Socorro do Hospital Universitário de Londrina. E não por negligência dos atendentes mas por um precário sistema que funciona no Brasil quando se trata de dar atendimento à enorme legião de pacientes pobres (principalmente), que sofrem em macas nos corredores de hospitais ou aguardam meses para uma cirurgia por via do SUS.
Uma grave epidemia é homens públicos proclamarem aleatoriamente que os serviços funcionam bem. O ministro Temporão não fica atrás, ao exaltar os 20 anos de existência do SUS (idade suficiente para o sistema haver adquirido melhor qualidade funcional) e dizer que muito mais seria feito pela causa da saúde se o Brasil contasse com o mesmo orçamento dos Estados Unidos. Os governantes não citam o foco da questão que é o desvio de finalidade de certas verbas públicas, porque se os R$ 50 bilhões anuais do orçamento da saúde não são suficientes (contra os US$ 650 bilhões dos EUA para o setor) não é porque faltem recursos nos cofres do Governo. Não são só os encargos indispensáveis que consomem as economias públicas mas também o exorbitante volume da estrutura oficial gastadora, desperdiçadora, pouco operante e também corrompida - como se sabe por via do abundante noticiário.
Não se nega a importância do SUS e o serviço que está prestando, mas isto é pouco diante da relevância da causa da saúde e de quanto o Governo federal arrecada - mais de 60% de toda a tributação nacional. Se a verba orçamentária da saúde é baixa é porque esse setor não tem a importância devida no conceito governamental, aí incluído o corpo legislativo, que vota os orçamentos. No caso do HU, mesmo com a ampliação anunciada, o número de leitos será insuficiente.
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