O cavalo, um dos animais mais utilizados no desenvolvimento da humanidade, possui, além das suas inúmeras utilidades, a habilidade curativa. É o que têm comprovado os profissionais que investem na equoterapia para o tratamento de deficientes físicos e mentais.
A equoterapia não é, como podem imaginar alguns incautos uma técnica praticada por fanáticos pela arte equestre. É, na verdade, uma terapia que ocupa espaço importante entre os tratamentos que visam a reintegração de pessoas portadoras de deficiências, seguindo paralelamente à fisioterapia, fonoaudiologia e outras atividades importantes para o deficiente. Na Europa e América do Norte, é um tratamento bastante difundido, com total envolvimento da área médica. A Itália é considerada o maior centro de estudos de equoterapia do mundo. A Federação Internacional tem sede na Inglaterra e dezenas de países filiados.
Não se trata de um método recente. Já em 124 a.C., o médico grego Asclepíades da Prússia, um adversário de Hipócrates, preferia terapias simples e eficazes às operações e remédios. Ele aconselhava a equitação para combater a epilepsia e vários tipos de paralisia. A atividade ganhou força após a 2ª Guerra Mundial, na recuperação dos feridos em combates.
Como as melhores idéias, a equoterapia funciona com simplicidade. Os movimentos tridimensionais do cavalo (para frente, trás, lados, para cima e para baixo), todos ao mesmo tempo, ajudam a fortalecer o tônus muscular, reduzem os espamos, mexem com as cordas vocais, ajudando a soltar a fala, auxiliam na noção do espaço, senso tátil e sensitivo e - tão importante quanto tudo isso - dão ao deficiente confiança em si mesmo.
Após 30 minutos de exercícios, o deficiente terá executado de 1,8 mil a 2,2 mil deslocamentos, que atuam no sistema nervoso profundo (aquele responsável pela noção de equilíbrio distância e lateralidade). Nos primeiros meses de aula tanto os profissionais como os pais do aluno já sentem melhora, principalmente na parte psicológica. Afinal, o aluno sai da habitual sala para um ambiente aberto, com muito verde e em contato com um animal.
Hoje, em Londrina, na escola Equoterapia Forçativa, conto com 21 alunos. Entre eles estão portadores de paralisia cerebral, Síndrome de Down, autismo e problemas físicos. A alegria destes alunos quando encontram o cavalo, já considerado um amigo, é tão grande que estimula mais ainda os profissionais que trabalham na recuperação.
Quanto mais estímulos são dados a um deficiente quando pequeno, maior vai ser sua recuperação. Para os pais, é difícil a situação pois todas as terapias são caras e cada paciente necessita de muitas. Por esse motivo, estamos tentando, através da Federação Paranaense de Hipismo, encontrar empresas que venham a patrocinar crianças carentes.
Quando iniciei o trabalho de equoterapia, não imaginava que acabaria por unir duas paixões: cavalos e o tratamento de deficientes. Espero que outros possam achar essa mesma satisfação ajudando aqueles que precisam de tratamento especial a encontrar num cavalo um campanheiro e a própria identidade.
- DÓRIS CHRISTINA ALHO DA SILVA é professora de Educação Física e diretora de Equitação para Deficientes da Federação Paranaense de Hipismo

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