Uma surpreendente nomeação na CMTU
Ficou cunhada como frase histórica a de que as guerras são coisas sérias demais para serem confiadas aos generais. Transportando-se este dito para os comandos das administrações públicas, pode-se afirmar que esta modalidade de gerenciamento é coisa muito séria para ser confiada aos políticos. Se os desmandos na vida pública, assim como as intrigas palacianas, as traições e a corrupção acontecem desde os reinados dos faraós, no Brasil tais práticas assumem proporções desmedidas.
O que este Editorial disse no último sábado que a recondução de José Sarney à presidência do Senado e de Michel Temer à presidência da Câmara iriam deixar as coisas como sempre estiveram, ou piores foi dito com outras palavras pela revista britânica The Economist, ao afirmar que (no Brasil) os dinossauros ainda vagam, sem perspectivas de fazerem alguma mudança. E analistas políticos brasileiros afirmam duvidar que algo rumo ao modernismo possa acontecer com esses dois nomes de novo no comando.
Porque, no caso de Sarney, o que ele já dissera em 1995 que iria fazer, nunca fez, e agora retorna com o mesmíssimo discurso. Para não falar que como presidente da República (asssumindo como vice, pela morte de Tancredo Neves) foi um desastre, terminando seu mandato com inflação de 84% ao mês essa sim era uma crise financeira! Michel Temer tambem fez promessas não cumpridas em seus anteriores mandatos de presidente da Câmara, e agora repete tudo como se fosse uma gravação das falas passadas. E chega-se a Londrina, onde o prefeito interino está administrando sob influência de uma coalizão de representantes políticos a que o levou ao poder. Um parente do deputado federal Alex Canziani acaba de ser nomeado assessor do presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização, com o salário de R$ 5 mil mensais. Trata-se de um médico e empresário, sem formação técnica na área que irá exercer.
Na hora de criticar a gente critica, e na hora de auxiliar você rejeita? ele respondeu à jornalista Janaina Garcia ao ser perguntado sobre o salário. Esta seria uma resposta válida se o nomeado fosse um técnico, ou no caso de um colaborador, se ele trabalhasse gratuitamente. Mas vê-se que nessa situação específica o ideal não é servir mas servir-se. Com os R$ 5 mil mensais melhor se faria contratando um engenheiro de tráfego que oferecesse soluções para a estrutura física do sistema viário de Londrina. Disto sim o setor de tráfego da CMTU precisa.





