Uma solução para a Rua XV
Uma solução para a Rua XV
Daniela Slomp Busarello
Grandes cidades brasileiras, e mundiais, estão sofrendo um processo de degradação em seus centros urbanos. Este fenômeno acontece devido ao crescimento acelerado das populações, e da estrutura física das cidades. Buscam-se novas áreas de expansão com melhores condições físico-territoriais e sócio-econômicas, pois os centros, densamente construídos, estão sem segurança e não possuem atrativos para as populações usuárias.
Arquitetos e urbanistas fazem parte de equipes multidisciplinares, as quais têm pensado e agido em muitas destas cidades, para não deixar seus centros tradicionais morrerem abandonados. A função do planejador urbano é justamente a de antever situações de descontrole e evitar problemas futuros. É importante a pesquisa e a análise do passado e do presente sócio-econômico, físico-territorial, político e cultural das cidades. Assim, o espaço urbano estará sempre se adequando às constantes mudanças de necessidades de seus usuários.
Hoje a Rua das Flores sofre dos mesmos males das grandes metrópoles mundiais, porém em uma escala passível de ser revertida. Podemos ressaltar algumas características como a falta de segurança, os riscos de incêndio, saneamento ineficiente, e principalmente a falta de atrativos para a população ir até a Rua desfrutar de seu cenário e de sua história.
A Rua das Flores é o coração do centro de Curitiba. Localiza-se próxima a equipamentos de porte metropolitano como o Teatro Guaíra, a Universidade Federal, a Biblioteca Pública, algumas grandes lojas de departamentos, o único parque central - Passeio Público -, e possui testemunhos da história através de sua arquitetura. Portanto, o processo de revitalização deve começar nela, mas jamais encerrar-se nela. A Rua das Flores está inserida em um contexto maior, o centro tradicional, e por isso deve ser elaborado um projeto de revitalização para todo ele, com soluções reais, e não apenas medidas paliativas, como a colocação de floreiras e a vigilância por policiais.
Turistas e moradores serão atraídos para a Rua quando ela oferecer reais modificações. Quando elas envolverem toda a população, quando os interesses e ações forem coletivos.
Observa-se em São Paulo, através da Associação Viva o Centro, como a sociedade está envolvida na revitalização de seu centro. Os empresários paulistas se mobilizaram paralelamente ao governo e já promoveram um concurso público nacional para a revitalização da Avenida Paulista, tiveram a Pinacoteca do Estado restaurada, e agora vão debater a questão dos calçadões, com a participação da população usuária e de diversos profissionais da área para todos aqueles que quiserem participar, inclusive nossos escritórios. Ainda existe um sistema de informação e educação muito fortes, através da divulgação em massa das ações afim de que todos se mantenham informados. São atuantes: empresários, indústrias, hotéis, restaurantes e bares; corretoras de valores, câmbio e mercadorias, de crédito, financiamento e investimento, bancos nacionais e internacionais; faculdades, escolas, o patrimônio histórico e museus; associações, federações, institutos, sindicatos e sociedade de advogados, arquitetos, sociólogos, políticos, engenheiros, fotógrafos e comerciantes; cartórios, imobiliárias e proprietários de estacionamento; a polícia, o corpo de bombeiros, o Tribunal de Justiça, as igrejas, as companhias de transporte, a empresa metropolitana de planejamento urbano, etc, etc...
É fundamental o engajamento da sociedade como um todo: moradores, usuários, comerciantes, prestadores de serviço, empresários, universidades, instituições, associações e o governo. A ação individual formará a ação coletiva.
O incentivo à habitação, à atividade de lazer - escassas no centro da cidade -, à atividades de trabalho e prestação de serviços trás movimento, as pessoas tornam-se olheiros e intimidam ações de violência, além de tornar a Rua mais viva!
A Rua das Flores precisa de atrativos que levem as pessoas à usufruí-los: locais de contemplação, relaxamento e estar. Bem como a melhoria da programação dos pequenos cinemas e teatros.
É preciso vontade política, envolvimento direto de empresários, de organizações não governamentais e dos mais diversos profissionais e usuários da cidade.
- DANIELA SLOMP BUSARELLO é arquiteta em Curitiba.





