A semana que começa pode ser marcada pela exacerbação do antagonismo político. Os candidatos gastarão seus cartuchos finais. Há muito que se falar dessa campanha (na verdade um balcão de compra de votos), mas é prudente deixar para depois das eleições, em nome do apartidarismo editorial. O mínimo que se espera é que os partidos contenham sua obsessão pelo poder e que não atropelem a Constituição como fizeram até agora. Que se respeite pelo menos o crepúsculo dessa jornada, eivada de excessos e pouca civilidade eleitoral. E quando se coloca que a semana poderá ser de turbulência, é justamente porque tudo foi permitido para cooptar o eleitorado.

Mais importante que tirar lições dessa festa, e continuar em busca da democracia e da isenção, é refletir sobre os descaminhos da política brasileira. É preciso, por exemplo, que cada instituição, entidade e indivíduo reflita sobre contornos autoritários, cada vez mais salientes, expressos, por exemplo, nas intenções do projeto de controle social da mídia, eufemismo para o desejo de impor restrições à liberdade de expressão. Essa ameaça vem preocupando jornais e revistas e os formadores de opinião, isentos sob o ponto de vista partidário.

Quem achar que isso é factóide e leva cor partidária deveria ter lido a frase de uma das pessoas mais respeitadas da política brasileira, o Jurista Hélio Bicudo. ''Estamos à beira do perigo de um governo autoritário, que vai passar por cima, como já está passando, da Constituição e das leis''. O doutor Hélio Bicudo é fundador do PT.

Neste final de semana toda a imprensa se ocupou da indignação diante do tratamento da Justiça sobre o Ficha Limpa. Foi ridículo. Mas pelo menos três grandes do jornalismo impresso abordaram o risco do controle à liberdade de opinião. Um deles, a Folha de São Paulo, lavrou seu protesto em editorial de capa.

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