UMA SAÍDA PARA A CRISE? Investimentos em educação devem crescer
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quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
Bons modos, boa conversa e simpatia de longa data não são os únicos requisitos para se conquistar uma vaga no mercado de trabalho. Em épocas de crise, as exigências aumentam e investir ainda mais em qualificação soa como boa alternativa.
É o que defende o ex-ministro da Educação Carlos Alberto Chiarelli. Nesta entrevista, Chiarelli cita a busca crescente pelo ensino a distância (EAD) e faz a analogia: para não perder o emprego, muitas pessoas vão procurar uma qualificação melhor com um valor que esteja de acordo com a realidade em que vivem.
Quanto maior a crise, maior a demanda pela qualificação?
Exato. Maior será a competição para o mercado de trabalho. Nesse sentido, serão oportunizadas mais chances para aqueles que estiverem mais qualificados. Presume-se e pode-se garantir que com maior índice de empregabilidade serão os que têm formação, que passa pelo processo de educação. Hoje, mais do que nunca, a educação é a saída.
O senhor é um entusiasta da educação a distância no Brasil. Quais os diferenciais para o EAD emplacar no país?
As vantagens do ensino a distância são muito acentuadas num país que tem um grande contingente populacional, distâncias geográficas e território vastos e população de faixa etária de 20 a 40 anos excessiva. O Brasil tem esses três requisitos acumulados. O quarto elemento é que 80% de nossa classe C ainda não tem o acesso adequado ao ensino superior, por conta de um número ainda restrito de vagas nas universidades governamentais e porque as universidades privadas se mostram até certo ponto onerosas. O EAD é cômodo, tem a mesma validade legal e qualidade do presencial e apresenta custos mais baixos. Evidentemente, há a procura pela progressão e claro, a modalidade apresenta amplas perspectivas no Brasil. Os dados oficiais apontam que o EAD cresceu 213% em três anos.
Excluir a educação presencial da pauta não seria utopia?
Isso jamais irá acontecer. O EAD tende a crescer muito mais, mas o ensino presencial vai permanecer concentrado naquele tipo de aluno que tem necessidade do grupo, que precisa ir à escola, que é conveniente para ele certas regras. Além disso, há algumas atividades em que se fazem necessárias a presença física e a rotina, como a área da saúde, que seguirão da maneira em que se encontram.
Em relação aos céticos, que acreditam que as pessoas vão potencializar em casa os vícios que já teriam na escola, qual a melhor justificativa para a consolidação do EAD?
Os exemplos e as respostas estão aí: os concursos na área pública do Direito mostram que os primeiros colocados são fruto da educação a distância. No Enade (Exame Nacional de desempenho de estudantes), ocorreu o mesmo. A questão é muito lógica, a absorção de conteúdos a distância será sempre melhor se o aluno tiver disciplina, consciência do que quer e disposição para estudar. A diferença não está na metodologia, mas no compromisso consigo mesmo. Vence quem tiver mais maturidade, uma vez que o conteúdo pode ser revisto via DVD e MP4, por exemplo.
O aluno é bombardeado por informações que vêm via internet, videogames, torpedos e demais recursos. Como incutir a disciplina nessa criança ou jovem?
Apostando em algo similar, como as aulas em MP4, que funcionam como um conhecimento levado na palma da mão. Reitero: o aluno tem de estar envolvido com seus propósitos, se fixando naquilo que quer. Quem não tem compromisso com sua formação de fato terá uma educação a distância menos produtiva. Se pudéssemos fazer um trabalho com a participação das escolas de produção pedagógica, nós poderíamos elevar barbaramente o nível de educação das crianças brasileiras.
O binômio tecnologia e metodologia é um caminho para a educação brasileira?
Sem dúvidas. Ainda existem grandes contingentes populacionais sem acesso à educação. Não tenho dúvidas de que o Brasil vai se incorporar progressivamente nesse processo de qualificação via metodologia didático-pedagógica utilizando a educação a distância.


