Uma Roseana não faz verão
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quarta-feira, 29 de agosto de 2001
Denise Rothenburg 
Vai longe o tempo em que os integrantes do PFL se gabavam de estar por cima da carne-seca em qualquer situação. Todas as leituras de nuvens políticas que eles fizeram até agora indicam que o PFL está mais próximo do apagão partidário do que seus parceiros PMDB e PSDB. São os pefelistas e não os tucanos ou peemedebistas que mais dependem do sucesso da chapa governista para continuar no poder.
O PMDB tem uma ala à esquerda que pode servir de ponte para um governo do PT ou do PPS. O PSDB idem. Só o governista PFL, isolado com o PPB num espectro mais conservador, não tem nem uma pinguela para cruzar o rio que o separa de candidatos considerados mais progressistas.
Em suas reuniões mais reservadas, os pefelistas dizem temer uma ''cristianização'' do candidato governista. Em política, cristianizar não tem nada a ver com tornar-se cristão. Significa traição, abandono. Ganhou esse significado em 1950, quando Cristiano Machado, candidato a presidente da República pelo Partido Social Democrático (PSD), viu seus correligionários apoiarem o vitorioso Getúlio Vargas, do PTB.
Sem perspectiva real de vitória, o PFL busca seu jogo. Apostou no ministro da Fazenda, Pedro Malan. Mas a candidatura Malan começa a fazer água. A comemoração do aniversário de Catarina, mulher do ministro, na casa de um dos herdeiros do Unibanco, Pedro Moreira Salles, desanimou muita gente. A mulher do banqueiro, amiga de Catarina, fez um jantar em homenagem à aniversariante. O gesto, comum entre amigos, causou certo incômodo entre políticos por passar a idéia de proximidade excessiva entre o ministro e o banqueiro.
Os pefelistas apostam hoje na governadora do Maranhão, Roseana Sarney, musa do impeachment de Fernando Collor, embalados pela pesquisa CNT/Sensus. Roseana aparece empatada com Ciro nos 14%. Ela, no entanto, resiste em trocar a eleição certa para o Senado pela aventura presidencial. Teme virem à tona suspeitas de corrupção sobre o governo de seu pai, o ex-presidente José Sarney.
Já chega o constrangimento de ver Jader Barbalho, ex-ministro de Sarney, respondendo a inquérito sobre fraudes em Títulos da Dívida Agrária (TDAs).
Outro fator que incomoda os pefelistas é a dificuldade nos Estados. Calma só existe na Bahia e não se sabe até quando. O partido enfrenta problemas em Pernambuco, no Paraná.
De grandioso, o PFL só tem Roseana, que, sem boas alianças estaduais, depende do governo federal para decolar. Por enquanto, ela é a única andorinha pefelista. E, como diz o ditado, uma só andorinha não faz verão.
- DENISE ROTHENBURG é jornalista em Brasília


