Qualidade no atendimento e preços baixos constituem um binômio condicionante do sucesso - senão da sobrevivência - dos negócios na complexa economia contemporânea. Empresas de todo o mundo, num ambiente cada vez mais sem fronteiras, disputam a preferência de cada consumidor, nos cinco continentes. Em razão de contar com a quinta maior população do Planeta - 161,8 milhões de habitantes (segundo o Banco Mundial) - e de ser o líder inconteste do Mercosul - um bloco com 218,9 milhões de pessoas - o Brasil reforça sua condição de potência emergente e, por isso mesmo, se transforma em mercado disputadíssimo no contexto da globalização.
O fortalecimento da moeda, suscitado pelo Plano Real, a maturidade da democracia, o acesso crescente à informação e a consequente ascensão da cidadania tornam o consumidor mais crítico, exigente e seletivo. Como nunca na história do País, o brasileiro pesquisa e valoriza aspectos como preço, qualidade dos produtos e/ou do atendimento e atenção no pós-venda. Há algum tempo, as empresas nacionais e multinacionais instaladas no País buscam adequar-se à nova realidade socioeconômica, realizando programas de qualidade, promovendo a reengenharia voltada à produtividade e redução de custos, atualizando processos e tecnologias e despertando a consciência para a importância da automação. Um exemplo desse desempenho é a própria expansão do código de barras, cuja divulgação e implantação no País é uma responsabilidade da EAN BRASIL. Já há 250 mil produtos marcados com o código de barras no Brasil, enquanto 2,4 mil estabelecimentos varejistas estão equipados com leitura óptica.
Todos esses esforços realizaram-se, inicialmente, no universo de cada empresa e no contexto de cada setor de atividades. Agora, há um novo e decisivo passo a ser dado. O consumidor brasileiro espera uma resposta eficiente, rápida e abrangente de todos os envolvidos na cadeia de produção, distribuição e venda, especialmente no que tange aos produtos de consumo de massa. Esse feedback de eficiência já tem nome, forma, conteúdo e um histórico de sucesso no Primeiro Mundo. É a ECR (Efficiente Consumer Response - ou Resposta Eficiente ao Consumidor), que deverá constituir-se na maior - e, provavelmente, a mais importante - novidade da economia brasileira em 1997.
Trata-se de um conjunto de práticas que, através da troca eficiente e rápida de informações em todos os elos da cadeia de produção e distribuição, possibilita ganhos operacionais expressivos. Os resultados são a redução de custos, agilidade e segurança dos processos, preços mais baixos e mais qualidade no atendimento ao consumidor final. O sistema, surgido há três anos nos Estados Unidos, onde reduziu em US$ 25 bilhões os custos da cadeia de distribuição, já é uma realidade no mundo desenvolvido, em especial na Europa. Chega agora ao Brasil, impondo-se como processo irreversível e inadiável, a ser agregado à economia nacional.
A ECR é uma estratégia na qual todos os parceiros comerciais, utilizando os recursos da informática, da automação (como o código de barras e a leitura óptica) e da comunicação (como o EDI - Intercâmbio Eletrônico de Documentos), trabalham em sincronia ao longo da cadeia de distribuição, para reduzir custos, agregar valor ao produto, propiciar qualidade máxima e preço mais baixo ao consumidor. O sistema, que implica alto grau de parceria e sinergia entre indústrias, atacadistas, distribuidores e varejistas, permite que o fornecedor escoe mais facilmente a sua produção e atinja novos patamares de produtividade; que o varejista obtenha maior lealdade de sua clientela, reduza estoques e aumente o giro de mercadorias; e que o consumidor tenha a possibilidade de encontrar produtos de melhor qualidade, mais adequados às suas exigências e mais baratos. Ou seja, o sucesso da ECR certamente agregará vantagens competitivas importantes para o País, favorecendo a sua inserção ativa na economia globalizada - um velho novo sonho de todos nós.
A ECR surge no Brasil com muita força neste ano que se inicia, com o aval e o empenho de entidades de classe e de empresas sérias e representativas, como a ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados), ABIA (Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação); EAN BRASIL; ABIPLA (Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Limpeza e Afins); Coca Cola, Nestlé, Gessy Lever, Kraft, Sadia, Perdigão, União, Quaker, BomBril, Colgate e Procter & Gamble, entre outras.
Além de se constituir numa conquista dos consumidores e da sociedade, resultando em mais qualidade e, a médio prazo, preços menores, a ECR reforça a reivindicação de todos os setores produtivos do País no sentido de que as reformas em andamento contemplem a redução do chamado ‘‘Custo Brasil’’. À medida que a iniciativa privada demonstre, na prática, que há plenas condições de reduzir preços, através de uma ação sinérgica e eficiente, o setor público, pressionado positivamente, deverá dedicar-se com maior ênfase à tarefa de rever itens anacrônicos da legislação e as deficiências de infra-estrutura que também oneram a produção e o consumo. Portanto, a irreversível introdução da ECR e a promessa de conclusão das reformas constitucionais permitem estimar que 1997 deverá ser um ano histórico e decisivo para a consecução da meta de colocar, definitivamente, o País na rota do crescimento auto-sustentável e do desenvolvimento.

mockup