"Agradeço a todos que merecem não só sobreviver, mas viver. Dedico a todos que sofreram com a escravidão e ainda sofrem hoje". A declaração foi do diretor britânico Steve McQueen ao receber o Oscar pelo melhor filme do ano: "12 anos de escravidão". É o primeiro filme de um diretor negro a levar a cobiçada estatueta e traz a história real de um negro livre, Solomon Northup, sequestrado em 1841 e transformado em escravo nos Estados Unidos. O longa-metragem é baseado no livro escrito pelo próprio Northup.
Cópias do filme vão ser distribuídas em escolas públicas americanas junto com o livro que inspirou os produtores de Hollywood. A ideia é de ativistas de direitos humanos que justificam, dizendo da importância dos estudantes testemunharem mais uma visão dos males da
escravidão.
Aproveitar todas as oportunidades para debater nos bancos escolares o período triste da escravidão e as suas consequências é uma forma de garantir que essa história jamais seja esquecida. Isso vale tanto para os estudantes dos EUA quanto de outros países que se preocupam com liberdade e cidadania.
Um episódio ocorrido há poucos dias no Rio de Janeiro causa espanto e também merece reflexão. O ator e vendedor Vinícius Romão, 27 anos, ficou preso por 16 dias, suspeito de ter roubado uma bolsa. Ele teria sido reconhecido pela vítima, uma mulher que parou policiais militares que estavam na rua dizendo que o criminoso era negro e usava cabelo black power. Romão acabava de deixar o trabalho em um shopping, foi abordado pelos PMs e levado para a prisão, onde só pode dar um telefonema no dia seguinte. Em comum com o assaltante, Vinícius tinha a aparência física. A bolsa roubada não estava com ele, "detalhe" que não foi levado em conta pela polícia.
A liberdade só foi concedida depois que amigos do rapaz fizeram um protesto e chamaram a atenção da imprensa e das autoridades. A vítima do assalto reconheceu o engano. No caso da polícia, a instituição também precisa reconhecer que errou ao prender por 16 dias um cidadão, sem que houvesse indícios da participação dele no crime.
Ao que tudo indica, estamos diante de mais um caso - entre tantos outros - de explícito preconceiro racial. Com a pressão feita por amigos e familiares, o ator foi solto. Mas e aqueles que foram presos na mesma situação e que não contam com ajuda de amigos? Ao sair da carceragem, o ator relatou que "há muitos Vinícius lá dentro". Alguém tem dúvida disso?

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