Reduzida a uma empresa federal sem muitas funções práticas desde a privatização da telefonia fixa na década de 1990, a Telebrás ressurgiu no último ano com uma missão tão difícil quanto nobre: promover a democratização do acesso à internet no Brasil. Só que a burocracia e a falta de consenso entre governo e companhias do setor estão impedindo os avanços.
Perde a população mais carente que se vê privada do conhecimento, em especial aqueles que vivem nas zonas rurais dos municípios, como mostra reportagem especial de hoje da FOLHA. Alunos ficam sem poder realizar pesquisas escolares, em locais onde falta até mesmo biblioteca.
Os professores precisam adaptar as lições à realidade local, o que fatalmente irá impactar no aproveitamento escolar, colocando os estudantes em situação de desigualdade em relação aos que vivem na cidade que, ainda que não tenham internet em casa, possuem a opção de acessar a rede por meio de lan houses.
Para cumprir as metas do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), cujo objetivo é levar acesso até 2014 a 50% dos domicílios urbanos e 15% dos rurais, além de prover com conexão à rede todas as escolas públicas e órgãos governamentais do País, a Telebrás busca fechar parcerias. Esta teoricamente seria uma forma de aliviar a desigualdade tecnológica.
A intenção é construir rede de fibra ótica para oferta de banda larga para que provedores de internet e operadoras de telefonia ofereçam o serviço ao consumidor a um preço mensal de R$ 35. Um preço bem inferior ao cobrado pelo mercado brasileiro, que é considerado um dos mais caros do mundo.
A política pode até melhorar um pouco a situação, mas fica longe de efetivamente democratizar o acesso, pois aqueles que não têm dinheiro para pagar continuarão fora do sistema. Ainda assim, o programa sofre pressão das empresas do setor, que querem ampliação de vantagens como subsídios, isenções fiscais e maior poder de decisão.
A solução para o problema deve vir na velocidade da banda larga, para usar uma analogia típica da rede. É preciso reverter o número vergonhoso de pessoas que estão alheias à atual era da comunicação, sob pena de manter milhões no analfabetismo tecnológico.

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