Os movimentos populares reivindicatórios são um direito do povo e extremamente importantes num processo democrático. Nesse contexto o Movimento dos Sem-Terra (MST) vem se destacando, não só na luta pela terra, mas também no apoio a outras manifestações. A reforma agrária se constitui num programa indispensável para o desenvolvimento do Brasil, e que vem sendo reivindicado pela população e realizado pelo governo.
O MST porém, vem cometendo incoerências e tomando atitudes absurdas, o que tem gerado duras críticas e afastado o apoio popular ao movimento. É evidente que apesar de seus líderes negarem, o MST tornou-se parte da grande massa (da qual a CUT faz parte) patrocinada pelos partidos políticos de oposição ao governo. Estes, conhecidos como arautos do apocalipse, são adeptos do quanto pior melhor. Lembrança: num deslize, Lula, no afã de criticar o desemprego e as privatizações promovidas pelo governo, já soltou: ‘‘Como Deus é brasileiro, e ainda não foi privatizado, o desemprego subiu’’. Que bomba!
O MST é, ou deveria ser, um movimento que luta pela reforma agrária. Porém, em troca de patrocínio dos partidos oposicionistas, os seus integrantes estão em toda e qualquer manifestação, desde que seja contra o governo, não interessando seu motivo ou sua causa. Eles já participaram de manifestações da CUT, dos sem-teto, da greve dos PMs, dos protestos contra a desestatização, e atuaram também contra o pedágio das rodovias privatizadas. Mas será que os líderes do MST querem mesmo receber terras e assentar todos os trabalhadores rurais? Se isto ocorrer, não haverá mais sem-terra, e o movimento acaba. E aí, como é que os oposicionistas vão pressionar o governo? Cá entre nós, os comandantes deste movimento não estão nessa por uma simples questão épica ou filantrópica.
Os líderes do MST, entre eles Rainha, Stédile e os políticos de esquerda, não são sem-terra. Para se integrar ao MST, não é preciso sequer ser sem-terra. Existem pessoas que têm suas residências e estabelecimentos comerciais, mas que à noite vão para os acampamentos dos sem-terra; outros, que moram nos centros urbanos e que estão desempregados, juntam-se aos verdadeiros sem-terra e participam de suas manifestações, protestos e marchas (sempre em fila indiana para dar a impressão de que há bastante gente), no intuito de ganhar terras do governo e provavelmente vendê-las ou alugá-las. O MST já fez até uma convocação para inscrever interessados em participar das invasões. É claro que os líderes do movimento integram qualquer pessoa a ele, pois precisam de bastante gente nas manifestações e acampamentos, para mostrar à população a quantidade de trabalhadores sem-terra existente e a ineficiência do governo.
O MST agora anuncia os crimes que vai cometer, incita a violência e pratica crimes hediondos, como as invasões de terras em que fazem vários reféns. Com o surgimento do Movimento dos Sem-Teto, talvez encabeçado pelas mesmas pessoas, o MST, na sua característica antigovernista, antidemocrática e oportunista, foi logo tratando de apoiar e esquentar o clima. Foram invadidos conjuntos habitacionais que seriam ocupados por trabalhadores tão carentes quanto os verdadeiros sem-terra, mas que já estavam numa lista de espera.
Os sem-terra invadem fazendas que eles mesmos julgam improdutivas, e às vezes constroem campinhos de futebol nessas terras para seu lazer. Eles saqueiam e roubam trabalhadores que nada têm a ver com o problema, e já chegaram até a expulsar do movimento uma integrante só porque ela ficou famosa após posar nua numa revista masculina. Será que depois essa mulher poderia tornar-se um perigo para os líderes do movimento? Por tudo o que vem acontecendo, o MST vem perdendo cada vez mais confiança e apoio popular.
De quem é a culpa por tudo isso que vem ocorrendo pelo Brasil? Do governo? Dos sem-terra? O fato é que o problema existe e tem que ser solucionado. Porém não é fácil e nem rápido, como pensam ou fingem que pensam os oposicionistas. Os verdadeiros sem-terra são pobres miseráveis e ingênuos, que estão sendo usados como massa de manobra por pessoas gananciosas e irresponsáveis para atingir seus objetivos e vaidades pessoais.
Há de se reconhecer que o governo vem fazendo a sua parte. Aos poucos, democraticamente e dentro da lei, os trabalhadores estão sendo assentados. Assentar não é apenas desapropriar uma fazenda e jogar os trabalhadores nela. É preciso educar e dar assistência básica a essas pessoas por um certo período, até que elas estejam realmente aptas a produzir. Portanto, é um processo relativamente lento, cheio de burocracia e que deve sempre seguir a lei. As badernas, confusões, os atritos e a violência promovidos pelo MST só atrapalham e tornam lento o processo da reforma agrária. Definitivamente, este não é o caminho para se conseguir qualquer reivindicação num país civilizado.
Cabe aos políticos oposicionistas e aos líderes do MST deixar de mesquinharias e demagogia, e apresentarem uma proposta concreta, viável e completa para a reforma agrária, feita através de estudos aprofundados da realidade, com análises econômicas, sociais e políticas. Esta prática vale não só para a reforma agrária, mas para todos os problemas que surgem, quer numa pequena comunidade ou numa grande nação.
- MARCOS HEIDY GUSKUMA é estudante de Odontologia em Londrina

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