Uma questão de credibilidade - Editorial
Uma questão de credibilidade
Durante discurso na cerimônia de posse do novo presidente da Comissão de Valores Mobiliários do Rio, José Luiz Osório, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, reafirmou que a economia brasileira tem capacidade de crescer em média 4% ao ano até 2002. Malan assinalou que a economia reagiu melhor do que se esperava na época da desvalorização cambial. Ele lembrou que o desemprego não explodiu e encerrou 99 com taxa próxima à verificada no ano anterior. Lembrou, ainda, que o balanço de pagamentos fechou o ano com déficit 9,2% inferior ao registrado em 98. Segundo Malan, grande parte se deve à recuperação da balança comercial, que saiu de déficit de US$ 6,6 bilhões em 98 para um déficit de US$ 1,2 bilhão em 99. Essa melhora, conforme o entendimento do ministro, reflete a maior competitividade obtida com a desvalorização cambial, que conseguiu, segundo ele, neutralizar parte do impacto com a alta do petróleo e a queda das commodities no mercado internacional.
Malan reiterou ainda que o Brasil vai alcançar a meta de 6% fixada para o IPCA este ano e de 4% em 2001 e destacou que no primeiro trimestre de 2000 o país deve conseguir, pela sexta vez consecutiva, cumprir as metas fixadas pelo governo antes da eleição presidencial em 98. O ministro enfatizou também que em seu entender o Brasil está virando o jogo das turbulências vividas com as crises asiática e da Rússia e também do quase pânico que chegou aos países industrializados com a falência do fundo de hedge Long Term Capital Management. Segundo ele, essas crises provocaram uma revisão no mercado internacional do conceito de risco e uma mudança nas discussões com o FMI. Na opinião do ministro, o que o Brasil necessita agora é recuperar sua credibilidade interna, mais do que buscar a confiança internacional. O país, sustenta Malan, não pode seguir com uma perspectiva derrotista.
A repetição das projeções otimistas tem validade, até porque a observação dos fatos ocorridos neste primeiro mês do ano se mostram alentadoras. Quando se rememora a complicada situação que o Brasil viveu no começo do ano passado, com a desvalorização cambial que provocou uma verdadeira revolução e chegou a dar a impressão de que todo o esforço realizado nos 4 anos precedentes poderia ser perdido, fica ainda mais clara a diferença. Persistem ainda muitos e alguns enormes problemas, mas todo o quadro que se pode descortinar no cenário econômico é alentador. A possibilidade de o Brasil não apenas registrar o crescimento de 4% em seu PIB, este ano, mas até de superar este índice, é real. A própria situação internacional, valendo observar que a continuação do crescimento econômico norte-americano é bastante sintomática, indica precisamente que as boas previsões a respeito do futuro nacional são pertinentes.
Um fator importante em tudo é aquele que o ministro Malan coloca ao final de seu pronunciamento sobre a necessidade de o Brasil voltar a confiar em si próprio. É importante rememorar que a confiança do povo, não em seu próprio potencial, mas nos que dirigem o país é fundamental. E vale lembrar que um dos elementos vitais dentro do sucesso do projeto econômico de estabilização foi precisamente a confiança do brasileiro nos mentores e executores do plano. Contudo, os acontecimentos do ano passado minaram um pouco esta credibilidade. Este é, sem dúvida, um problema e um sério desafio. O ministro Malan tem razão quando diz que é fundamental que o povo confie em seu potencial. Todavia, é missão do governo reconquistar a confiança que veio perdendo em função de alguns equívocos e até da falta de decisão em momentos críticos.





