Uma questão de confiança
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segunda-feira, 09 de fevereiro de 2009
André Amorim<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O conceito de networking é cada vez mais utilizado pelos especialistas em mercado para denominar a prática pela qual os profissionais tecem uma rede de contatos por meio da qual trocam informações e favores entre si. Apesar do termo ser relativamente novo, a prática é antiga, afinal, quem nunca indicou ou foi indicado para alguma vaga de trabalho por uma pessoa conhecida?
Na avaliação da presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos no Paraná (ABRH-PR), Sônia Gurgel, essas indicações são muito comuns nas empresas e até mesmo recomendadas pelos especialistas. ''É interessante porque esse profissional já vem com um respaldo'', afirma. Isso não impede que a pessoa indicada passe pelos mesmos processos de seleção que um outro candidato passaria, mas o fato de ser digno da confiança de outro funcionário da empresa pode ser um critério de desempate na hora da contratação.
Isso ocorre porque existe a percepção de que o funcionário indicado irá se esforçar mais para não colocar o amigo que o indicou em uma má situação. Foi o que pensou o coordenador de helpdesk Jefferson Miranda, 33 anos, quando, em 2001, foi indicado por um amigo para uma vaga em uma empresa de tecnologia. ''Se ele me indicou a responsabilidade é ainda maior'', observa.
A experiência foi tão bem sucedida que dois anos depois Miranda estava em posição de devolver o favor ao amigo, e indicou o gerente de projeto Alexsandro Brum, 30, para um cargo. ''É uma relação de confiança em dois sentidos'', avalia o amigo.
Segundo Sônia, algumas companhias até favorecem essa prática. ''Elas divulgam internamente (a oferta de vagas) justamente para promover isso. Para a empresa é muito intressante'', avalia.
No entanto, é preciso verificar se o critério profissional ficou em primeiro plano durante a indicação. Esse tipo de distorção, segundo Sônia, é mais comum quando as indicações são familiares. Ela cita como exemplo o ''nepotismo cruzado'', que ocorre quando dirigentes de empresas trocam indicações de familiares entre si, abrigando pessoas que não teriam os pré-requisitos profissionais para os cargos ocupados.
Esse não é o caso dos amigos Miranda e Brum. Antes de trocarem indicações eles já conheciam bem o trabalho um do outro, pois haviam trabalhado juntos em uma empresa de comunicação em 2000.
Hoje ambos defendem essa prática: ''Quando você faz indicações boas elas acabam fazendo parte da sua história profissional'', avalia Alexsandro. Assim também pensa Jefferson: ''Poucas pessoas que indiquei não foram contratadas'', afirma.


