Depois de uma semana no centro dos boatos, a saída de Abraham Weintraub do Ministério da Educação foi confirmada nesta quinta-feira (18) por meio de um vídeo publicado na rede social pelo próprio Weintraub em companhia do presidente Jair Bolsonaro.

Com frases soltas, o ex-ministro foi bastante reticente sobre a a demissão. “Desta vez é verdade” ou “não quero discutir os motivos da minha saída”.

Ele disse ter recebido um convite, referendado por Bolsonaro, para ser o diretor representante do Brasil e de outros oito países no Banco Mundial, instituição multilateral de fomento ao desenvolvimento com sede em Washington, nos EUA.

O salário no Banco Mundial seria o triplo dos R$ 31 mil recebido à frente da pasta. Financeiramente, um bom negócio. Mas politicamente, Weintraub sai queimado do governo.

Em 14 meses à frente do Ministério da Educação, Weintraub polemizou muito e realizou pouco na pasta que tem missão de elaborar e executar a chamada PNE (Política Nacional de Educação). Todo o sistema educacional brasileiro, desde a educação infantil até profissional e tecnológica estava sob a responsabilidade do MEC.

Weintraub não resistiu ao desgaste político em decorrência do embate com os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). A frase “eu, por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF”, ainda vai ecoar muito por aqui.

O substituto de Ricardo Vélez Rodríguez não falou, no pronunciamento em vídeo, sobre realizações na pasta da Educação. Até o fechamento desta edição o presidente Bolsonaro não havia anunciado o novo titular do MEC.

Espera-se que o novo ministro adote uma postura de comprometimento com a educação. Há muito o país coloca esperança que a educação seja realmente o motor de transformação da sociedade.

A educação é um instrumento poderoso capaz de mudar o mundo. Mas como conseguir fazer uma transformação sem um ministro engajado e preocupado em promover a qualidade no ensino?

Uma das primeiras crises que o novo ministro terá que lidar diz respeito a uma das últimas decisões de Weintraub antes da demissão: a extinção de cotas para negros e indígenas na pós-graduação. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, sinalizou que a Casa não deve ratificar a decisão e disse que espera resolver o problema com diálogo assim que o novo titular do MEC tome posse.

Uma lição precisa ser tirada de todo esse episódio: é preciso muito mais do que um mergulho em polêmicas para resolver qualquer problema do Brasil, seja de educação, economia, saúde ou segurança.

A FOLHA agradece a preferência!

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