Na vida somos obrigados a conviver com coisas engraçadas. O último episódio assim ficou por conta do PFL, que desfrutou do ‘‘leite da teta’’ do governo durante vários anos seguidos. De repente despertou e percebeu que estava entre pessoas poucas confiáveis, ou seja, sem crédito e corruptas.
Como é difícil entender a natureza dos seres ‘‘pensantes’’... Eles passaram 2.620 dias ao lado do sistema, manipulando e controlando. De repente, como se fosse uma mágica, tornaram-se oposição, e das mais ferrenhas.
Um outro exemplo de idiotice aconteceu recentemente com o governo Jaime Lerner. Iludiu e enrolou os trabalhadores das universidades estaduais, por mais de cinco meses. Uma greve, diga-se de passagem, justa e legal, pois as reivindicações eram por quase oito anos sem um mínimo de reajuste, o que é contravenção, segundo nossa Carta Magna.
Qual não foi nossa surpresa quando o governo atendeu às mesmas reivindicações dos trabalhadores da Secretaria da Agricultura em um espaço de tempo curtíssimo: sete dias no máximo e em sua totalidade, ou seja, atendeu a todas as reivindicações. E quem estava por trás, intermediando? Ora, os grandes latifundiários, deputados estaduais e federais, juntamente com senadores. Tudo um jogo de interesses.
Professores e funcionários das universidades, formadores de opinião e responsáveis por vários profissionais lançados no mercado de trabalho não têm seu valor devidamente reconhecido pelo senhor Jaime Lerner. Isso se caracteriza como discriminação e falta de ética para com a categoria. Nosso governo necessita, urgentemente, de uma Cartilha de Civismo e Ética Profissional. Os ‘‘donos’’ do poder desconhecem o significado da palavra democracia.
Temos aí, sem dúvida, uma forma prática do desmascaramento ideológico. Contudo, isso interessa muito pouco: o importante é a emergência de um tipo especifico de dominação dos poderosos, que não faz história por meio de ideologias, mas sim por meio de pressão e da aceleração capitalista.
Essa não é uma modalidade de ideologia política, mas uma revolução dos grupos poderosos, que não buscam autonomia do crescimento econômico capitalista, mas crescimento econômico rápido (ou tão rápido quanto possível). Por isso, ela não leva à mobilização econômica, social e política dos setores. As suas ‘‘fronteiras internas’’ são outras: o setor mobilizado pelo privilégio e incorporado à dominação da mais valia, tanto econômica, social quanto politicamente. Assim, para atingir seus fins, a dominação privilegiada dissocia a verdadeira mobilização para auferir as vantagens da economia neoliberal.
Como percebemos, o governo só se compromete com classes consideradas ‘‘superiores’’. Os professores que se lixem! O que está em jogo é a manutenção dos privilégios. Tudo isso, graças à implantação do conservadorismo moderno.
Os trabalhadores comuns estão lutando contra grandes latifundiários, agroindustriais, poderosos políticos, tudo isso com o apoio irrestrito do Estado autocrático e manipulador da sociedade civil. Tudo em forma de decuplicação do desenvolvimento desigual.
O senhor Jaime Lerner fez uma reengenharia, restabeleceu uma espécie de pacto colonial, invisível, destrutivo e maligno, hiperconcentrador de riquezas e de poder. O que esse governo fez foi a ‘‘multiplicação de empregos’’ para os apadrinhados e a ‘‘difusão de mercado de trabalho’’ para as grandes empresas multinacionais.
O quadro em que vivemos, atualmente, é suficiente para situar os traços globais e universais de um fenômeno que se repete sob a batuta do capitalista, tanto no processo econômico quanto no processo social e político.
Esse governo mostra-se incapaz de atender, em níveis profundos, às reivindicações dos proletários. O atendimento está voltado para os interesses particulares dos conglomerados dominantes das classes privilegiadas. Esse governo já gastou muita tinta, papel e dinheiro para tentar mostrar sua ‘‘competência’’, mas nós sabemos e reconhecemos que a máquina governamental do Estado é corrupta, maligna e incompetente.
GILBERTO JORDÃO é professor universitário em Maringá

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