Uma política rígida para o lixo tóxico
Reportagem que está sendo publicada hoje neste Jornal mostra como ainda não existe, em Londrina, uma ação prática para isolar o lixo tóxico, representado pelas baterias de celulares, pilhas e lâmpadas fluorescentes. Se existe preocupação com o problema, é algo que ainda não recebe a atenção devida. Os repórteres da Folha comprovaram, numa associação de recicladores visitada, que aqueles detritos são colocados junto ao lixo que vai para o aterro comum. O problema é que, ali, nenhuma orientação foi dada sobre o que fazer. Sabe-se que as lâmpadas fluorescentes têm vapor de mercúrio e são utilizadas pelos meninos para extração do cerol, que é o perigoso pó fino com que eles incrementam os fios das pipas. Não há advertência alguma sobre esse perigo o que deveria ser preocupação inclusive das escolas e nenhum controle que impeça essa manipulação. No que respeita às pilhas e às baterias de celulares, deveriam ser instalados pontos de recolhimento, em toda a cidade, mas as próprias coletoras de vidro e outros materiais sólidos, que existiam, foram retiradas dos muitos lugares onde se encontravam. As pessoas mais sensatas já estavam se habituando a colocar nesses locais, ao menos, os cacos de vidro, de forma a evitar que os funcionários encarregados da coleta se firam quando tais resíduos são simplesmente colocados em meio ao lixo comum. O especialista José Scarmínio, da Universidade Estadual de Londrina, afirma que o Brasil ainda não possui um bem desenvolvido processo de coleta de pilhas usadas, e que os fabricantes não têm interesse em recebê-las. Quem, particularmente, se dispõe a recolhê-las, acaba ficando com elas porque não encontra destinação. Uma questão que deve, urgentemente, ficar sob a imposição de leis. Quem fabrica esses produtos tóxicos não pode apenas beneficiar-se do lucro, mas assumir o ônus da posterior coleta, e isto precisa ser definido por norma legal. Esta é uma defesa que também faz o secretário de Estado do Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida. Certo que já houve progressos, porque a Secretaria tem promovido fóruns setoriais, com a participação de fabricantes de pilhas e baterias, e os mais tradicionais produtores já aboliram os grandes agentes poluidores, como o cádmio e o mercúrio. Um dos complicadores, segundo os fabricantes regulares de pilhas, é que 40% das que são consumidas no Brasil são oriundas de mercado ilegal, e os vendedores não assumem responsabilidade de coleta. Mesmo que o fizessem, não saberiam o que fazer com esse detrito. Certo é que, se há legislação sobre as baterias de celulares, o mesmo não ocorre com as pilhas e as lâmpadas fluorescentes. E as baterias usadas dos celulares, mesmo havendo lei, são jogadas aleatoriamente em todo canto, pelos usuários, porque falta-lhes conscientização. As regulamentações que faltam, e uma mais dura fiscalização geral nesse campo, são mais que urgentes, porque esses produtos são usados em grande escala e há muito tempo (a pilha foi inventada há quatrocentos anos) e os riscos que oferecem são grandes demais.





