Se o maior facilitador de atividades econômicas é o crédito e não o dinheiro, como afirma o Prêmio Nobel da Economia Joseph Stiglitz, o crédito precisa ser barato para que todos tenham acesso a ele. Não é o que ocorre no Brasil, onde os juros extrapolam os limites aceitáveis. Stiglitz bate nessa mesma tecla e afirma que, no Brasil, a diferença entre o que os bancos pagam de juros e o que cobram é uma das mais altas do mundo, superando México, Rússia, Coréia do Sul, Malásia e os países da área do euro. E se operações de crédito só ocorrem em bancos, operadoras de cartões, financeiras, lojas, então é aí onde reside o foco, se for seguido o postulado daquele economista norte-americano. Ele denuncia embora se saiba que não há competitividade entre os bancos, e considera isso um problema sério para os países em desenvolvimento. Essa situação, segundo afirma, caracteriza um truste e propicia aos bancos lucros exorbitantes. Sugere, referindo-se ao Brasil, que o Governo adote políticas fortes capazes de baixar os juros bancários.
Não está, portanto, sozinha a comunidade empresarial brasileira, defensora da mesma política. Mas, em contrapartida, fortes correntes da inteligência nacional também defendem que, melhor ainda que o crédito, é o governo aliviar a carga tributária e inúmeros encargos que aparecem sob as mais variadas rúbricas. Esta seria uma fórmula infalível de manter o dinheiro em suas origens, que é onde ele deve ficar entenda-se as bases, representadas pelos negócios instalados e pelos cidadãos que trabalham e produzem á para assim promover o desenvolvimento e não manter-se concentrado em mãos de poucos.
É correta a política de Stiglitz quando aplicada em países onde o custo do dinheiro é baixo, o que favorece a recorrência ao crédito junto a bancos e outras instituições financeiras, e ressalte-se onde esses organismos estão voltados não apenas para a função do lucro mas também para a função social. Não porém no Brasil, onde o empréstimo bancário ficou no geral proibitivo, não obstante a existência das faixas mais baixas de juros para determinados financiamentos. Deixam assim, os bancos, de ser agentes de desenvolvimento para converter-se em risco para a saúde financeira da atividade produtiva.

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