Quem reside nos andares altos, em Londrina, pode detectar focos de fumaça frequentes em zonas diferentes da cidade, porém sempre nos mesmos pontos, isso significando que há uma regularidade na prática de queimar detritos a céu acerto, ou outras que, mesmo em caldeiras, espalham densa fumaça poluente.
Ontem, fotografia feita por um cidadão e publicada neste jornal, mostrou o chaminé fumegante de um estabelecimento hospitalar, em cuja caldeira são incinerados detritos produzidos naquela unidade. Pouco recomendável, para uma casa de saúde, disseminar tanta fumaça negra, malcheirosa e poluente, em pleno centro da cidade.
O problema não é apenas de Londrina mas de todas as cidades, porque ainda falta entre os cidadãos a consciência de preservar a qualidade do ar. Existe, na verdade, uma certa mentalidade incendiária, ou seja, o costume de atear fogo nos detritos ao invés de separá-los adequadamente e destiná-los aos recolhedores de lixo.
Em Londrina, outra prática nada ecológica é a das caldeiras sustentadas por lenha, para aquecer piscinas de hidroginástica, paradoxalmente casas que existem para produzir sa© úde mas disseminam gases nocivos pelas chaminés. Também são muitos os restaurantes e pizzarias que utilizam lenha para aquecer os fornos, expelindo fumaça que causa sérios danos aos olhos e aos pulmões, afora a fuligem no ar e que cai dentro de casas e apartamentos.
Outro hábito comum é colocar fogo ao capim seco dos terrenos baldios, e isso é feito no mais das vezes por transeuntes, certamente pelo mórbido prazer de ver a fogueira, que não é apenas poluente mas perigosa. A fumaça dos milhares de automóveis não fere tanto a sensibilidade respiratória como a desses chaminés e queimadas.
É o caso de a Câmara de Vereadores estudar a criação de uma lei que proíba queimadas e não ceda alvarás para estabelecimentos que utilizem caldeiras ou fornos a lenha, sob pena de multa, e que estabeleça fiscalização rigorosa sobre os sistemas de incineração industrial e outros.
O Corpo de Bombeiros, de sua vez, nem precisará de lei para mobilizar-se e apagar fogo em lotes vazios e as pequenas queimadas de detritos defronte das próprias residências. Aparentemente, o vento leva a fumaça, mas é um engano, porque ela se mantém na atmosfera ou acaba retornando e se acumulando nos baixios. Para não falar do efeito-estufa destruidor da camada de ozônio, que nos protege dos raios ultravioleta do sol.

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