Uma pizza para matar italiano de inveja
A novala da extradição ou não do terrorista Cesare Battisti está se encaminhando para um final feliz. Para o italiano, é claro. Ele até encerrou sua greve de fome.
Como esta FOLHA observou, ao transferir para o Presidente da República, o destino de Battisti, o STF estava manifestando sua lealdade ao governo. Agora Lula pode manter Battisti no Brasil, conforme desejo de membros do seu governo.
Tanto que o senador paulista Eduardo Suplicy virou uma espécie de porta-voz de Battisti. Foi Suplicy quem informou à advogada de Battisti, que o italiano havia encerrado sua greve de fome, ontem. Amigo de Battisti e líder do grupo de parlamentares contrários à extradição do ex-ativista, o senador promete cartão vermelho para quem ousar entregar o terrorista à Justiça.
Pelo menos, Suplicy não usou de cinismo. Já o ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou ontem que está praticamente encerrada a sua participação técnica no caso da extradição do terrorista Cesare Battisti, pedida pelo governo da Itália. Segundo Tarso, o caso não está mais sob sua responsabilidade.
Battisti ganhou refúgio político no Brasil, em 2008. Mas o Supremo considerou o decreto ilegal, mas deu a última palavra sobre o pedido de extradição ao Presidente Lula que aguarda a publicação do Acórdão para decidir sobre o episódio.
No entanto, Tarso Genro já avisou: existe outro processo que é originário do ingresso de Battisti ao Brasil, e tudo indica que ele não poderá ser extraditado antes que termine esse processo. Portanto, além de ter parte do seu governo pressionando para manter o terrorista, Lula ainda não precisa ter pressa para decidir. Qualquer dúvida, ele não estava sabendo de nada.
Battisti vai ficando por aqui, enquanto a Justiça italiana o espera. Uma demora a perder-se de vista. Nada que se compare à agilidade com que o governo brasileiro se houve ao mandar de volta para Cuba os atletas que ameaçaram fugir do regime mais democrático do mundo. Foi nos jogos Pan Americanos, em 2007. Mas o governo tem seus argumentos técnicos para explicar tudo: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.





