Uma nova identidade política para a UEL - Jackson Testa e Márcio Almeida
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 31 de março de 1998
Jackson Testa e Márcio Almeida 
Nos últimos anos uma nova identidade política para a Universidade Estadual de Londrina (UEL) vem sendo buscada por amplos segmentos da comunidade universitária e da sociedade norte-paranaense. Os novos tempos e as mudanças sociais, econômicas, culturais e políticas exigem das instituições e de cada um de nós a abertura para novas mentalidades, comportamentos e práticas.
Para enfrentar este desafio convidamos a todos, sem exclusões nem restrições. Todas as idéias propostas são bem vindas. Estamos abertos à crítica, dispostos à autocrítica, a explicar até mesmo o aparentemente inexplicável e a somar forças, pois a UEL precisa ter uma direção socialmente legitimada e politicamente fortalecida para enfrentar as incertezas dos novos tempos.
A criação de parcerias internas e externas como principal estratégia para imprimir mudanças é mais do que um lema da chapa UEL UNIDA. É a afirmação de uma nova identidade política para nossa instituição, pois representa o início de novos compromissos: a participação da sociedade e da comunidade universitária na definição de um projeto político-acadêmico-administrativo que virá fortalecer a presença da UEL no processo de desenvolvimento regional.
Respeitamos todos os anteriores dirigentes de nossa universidade e enaltecemos o trabalho que realizaram. Suas opiniões são importantes, embora nem sempre seja possível a concordância. Não acreditamos, por exemplo, que as alianças políticas representem o caminho mais fácil ou mais curto para a conquista do poder. Constituem, na verdade, o mais difícil. Implica em análises, concessões, superação de preconceitos, rupturas com práticas anteriores, disposição para o diálogo e o trabalho em equipe. À semelhança, aliás, do que acontece no exercício das nossas atividades profissionais e acadêmicas, onde fazemos permanentemente alianças, ainda que nem sempre se dê conta do fato.
Os limites éticos e ideológicos para uma aliança são traçados pelo programa comum que se estabelece. E este não deve ser pautado pelo passado, mas sim pelo futuro que se propõe construir. Nossos inimigos comuns são as forças da privatização da educação, o corporativismo acadêmico e profissional, o burocratismo, a inércia, a falta de criatividade, o sectarismo político, o medo das mudanças e do novo.
Do ponto de vista político-partidário, defendemos a liberdade de opção e de militância por parte de quem quer que seja, ocupante ou não de cargos de direção universitária. Ao mesmo tempo, somos contra a ingerência político-partidária nas questões político-institucionais. A UEL não tem partido e a chapa UEL UNIDA defende intransigentemente a independência da instituição em relação aos partidos políticos.
No campo ideológico, nos identificamos com a democracia e com as reformas sociais e econômicas. Talvez não tenhamos as mesmas posições em relação aos modelos futuros de sociedade. Mas, para hoje e amanhã, apostamos na social democracia e não no neoliberalismo. Não somos adeptos de rótulos, pois são insuficientes, parcializam a complexidade da vida mas, para satisfazer necessidades alheias, apontamos que nossa chapa pode ser considerada como produto de uma aliança de centro-esquerda, com todas as ressalvas que devem ser feitas à complexidade conceitual e teórica das ciências políticas, nas quais não somos especialistas.
Estamos convencidos que podemos e devemos superar os dogmas, conviver com as diferenças, com as contradições, trabalhar na diversidade e preservar a ética na academia e na política. Também estamos convencidos de que devemos concentrar nossos esforços nas questões substantivas do momento, que são as diretrizes do Plano de Trabalho para a futura gestão de 1998-2002 da UEL. Nossa candidatura quer fazer pulsar as estruturas atuais, quer estimular - não sufocar - a diversidade e a diferença. Um Plano de Trabalho comum não pode ser construído pelo apagamento das diferenças, mas pela ampla discussão de projetos e prioridades. É o que estamos fazendo. Juntem-se a nós!


