Uma nova frente agrícola
Apesar da ausência de projetos oficiais para o desenvolvimento, há segmentos da nação que avançam e realimentam a esperança e o entusiasmo. No Paraná que acaba de colher uma safra recorde de 9,5 milhões de toneladas de soja, metade da qual será exportada, em forma de grãos, farelo e soja uma nova fronteira agrícola se expande. É a região do arenito, nos extremos noroeste e norte do Estado, onde está havendo um aumento da produção agrícola de 45% a 50%. Isto graças à tecnologia que entra em campo, depois de um acentuado processo de degradação daqueles solos, constituídos de 93% de areia, e do arrojo de agricultores dispostos a investir. No lugar da pecuária em pastagens condenadas, a reforma da terra para a entrada da agricultura em escala. Essas mudanças estão transformando o ambiente e recuperando o potencial de fertilidade do arenito.
Com o apoio da Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas de Maringá (Cocamar), em convênio com outras cooperativas, agricultores profissionais estão arrendando e revitalizando aquelas terras e as próprias pastagens, com isso gerando produção e aumento da produtividade, mobilizando empresas de suporte e criando mais empregos no campo e nos 108 municípios da região. A zona do arenito compreende 2,3 milhões de hectares agricultáveis, dos quais a metade está degradada e necessitando de reforma, o que vem sendo feito nos últimos cinco anos, graças ao trabalho da iniciativa privada, que naturalmente conta com a presença dos técnicos, sobretudo do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar).
O que agora ocorre é mais procura de terra para arrendar do que a disponibilidade, porque muitos proprietários ainda não se entusiasmam com a idéia de parceria e estão reticentes. Pela palavra dos pesquisadores do Iapar, o avanço da implantação de culturas de grãos tem sido crescente naqueles solos, que recuperados e bem manejados o plantio é direto apresentam respostas altamente positivas, com as terras produzindo na mesma intensidade das áreas tradicionais de outras regiões do Estado. Isto quer dizer, ao que atestam esses técnicos, que é possível uma grande produtividade de soja, trigo, milho, sorgo, aveia, feijão, triticale e pastagens.
Certo que o processo de recuperação de terras degradadas é caro, exige conhecimento, assessoria técnica, infra-estrutura de máquinas e equipamentos, e não se obtém grande resultado já no primeiro ano. Mas nada no Paraná se conseguiu sem trabalho e esforço e sem a necessária paciência que a terra exige, pois no universo dos negócios os investimentos mais seguros são os de médio e longo prazos. A idéia é viabilizar, em cinco anos, 500 mil hectares de grãos em franca produção e 700 mil hectares de pastagens revitalizadas. Enquanto muitos, equivocadamente, afirmavam que o Paraná já não tinha espaço físico para aumento de sua área agrícola, esta nova fronteira se abre e apenas pela via da recuperação do solo e está surpreendendo a todos e gerando otimismo geral naquela região.





