Uma nova crise do petróleo
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terça-feira, 17 de setembro de 2019
Folha de Londrina 
O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Décio Oddone, comparou ao 11 de setembro os ataques ocorridos no sábado (14) contra as instalações da gigante petroleira Aramco, empresa da Arábia Saudita e uma das maiores produtoras de petróleo do planeta. O país é o maior exportador mundial de petróleo e os ataques vão reduzir a capacidade de produção pela metade, para 5,7 milhões de barris ao dia, ou seja 6% da oferta mundial. Para se ter uma ideia da situação dramática, o volume de combustível que deixará de ser produzido é maior do que as quedas na década de 1970, época marcada pela crise do petróleo.
Arábia Saudita e Estados Unidos tentaram acalmar o mercado usando seus estoques, mas não foi suficiente para evitar a alta nos preços do barril, cuja cotação chegou a 20% ao longo do dia. O salto foi o maior desde o início da Guerra do Golfo, em 1991, mas diminuiu ao longo do dia e estava em US$ 68,09 no final da tarde de ontem.
A Arábia Saudita lidera desde 2015 uma coalizão armada no Iêmen, contra os rebeldes huthis, e várias de suas infraestruturas energéticas já foram alvo de ataques, principalmente em maio e agosto. No entanto, acusações norte-americanas e sauditas de que o Irã poderia estar por trás do ataque feito no sábado, com uso de drones, trazem mais tensão.
Não se sabe quanto tempo levará para a Aramco restaurar a capacidade total de produção. A Arábia Saudita bombeia 9,9 milhões de barris ao dia, ou quase 10% da demanda mundial. Deste total, sete milhões de barris diários são destinados à exportação. Por aqui, há quem aposte que a situação acabe ajudando a valorizar o nosso pré-sal, considerando que as ações da Petrobras fecharam a segunda-feira (16) em alta de quase 5%.
Em Londrina, consumidores disseram que as notícias não justificavam uma corrida aos postos. A reportagem da FOLHA percorreu na tarde de segunda-feira 15 postos na região central e não havia filas ou aparente reajuste. Todos sabem que a consequência de uma corrida aos postos não é boa. Ela resulta em falta generalizada do produto, como aconteceu nos primeiros dias da greve dos caminhoneiros do ano passado.
A reportagem verificou que o preço da gasolina variava de R$ 3,97 a 4,35, similar ao praticado na semana anterior, quando a média em Londrina foi de R$ 4,12.
Mas é preciso ficar atento. A princípio, os postos só deveriam reajustar valores no fim dos estoques antigos. E abusos precisam ser denunciados ao Procon. No entanto, a percepção é de que os preços da gasolina devem subir, pois mesmo que a Arábia Saudita consiga restabelecer boa parte da produção, a tensão no Oriente Médio e o medo de novos ataques acabam trazendo um clima de instabilidade. E a palavra “risco” já é suficiente para assustar o mercado.
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