Esta noite de véspera de Natal é o momento mais sublime da celebração que marca a epopéia do nascimento de Jesus. É quando ocorre no mundo um cessar de hostilidades, um tempo em que inimizades têm se convertido em conciliação e em que as famílias se reúnem em confraternização. O Natal é por tradição uma festa da família, como a homenagear o casal que fugia da perseguição e viu nascer o doce Menino, que se converteria num luzeiro da humanidade pelos sábios ensinamentos que deixou. Constituía-se nesse momento a Sagrada Família. Se a comemoração desta noite tem também seus componentes profanos – pelos abusos com comidas e bebidas e o desperdício em lares abastados – a epopéia do nascimento serve a tantas pessoas como reflexão e como ocasião para meditação e prece. Ignorando-se o costume de dar presentes às vezes como obrigação, neste tempo de Natal e de um novo ano as pessoas tornam-se mais mansas e tendem a desarmar tensões e a serem mais tolerantes. Uma evidente amostragem de que, cada ser, guarda dentro de si esse sentimento de harmonia, faltando-lhe certamente mais oportunidades de deixá-lo florescer. O ato de trocar cumprimentos, abraços e agradáveis palavras, e de consolar os mais fragilizados – e, sim, também presentear com prazer e alegria – já valem como glorificação desta noite de tão especial significado. Será preciso louvar este momento, cada qual a seu modo, podendo ser em clima de meditação e silêncio ou de ruidosa celebração, importando que o sentimento de paz e de fraternidade esteja presente. Uma atmosfera menos densa nas mentes humanas e um natural desarmamento dos espíritos pairam acima de todas as coisas neste dia e nesta noite que antecedem o Natal. Jesus nasceu na madrugada, quando luziam no céu as estrelas, e por isso a magia desta noite gloriosa que aconteceu dois milênios atrás. Glória a Deus nos corações de todas as criaturas e paz à humanidade nesta jornada terrena, são os desejos que devem emanar de todos, neste dia tão importante para os cristãos e para todos os que, nos quatro cantos do mundo, tenham conhecido, de alguma forma, os ensinamentos do Mestre nazareno – tão iguais nos seus fundamentos quanto os de outras luminosas doutrinas orientais. A alegria é uma das agradáveis e salutares expressões da vida e reflete a alegria de Deus. Bom seria se todos os meses do ano fossem iguais a dezembro, e se todos os dias e todas as noites pudessem ser de tanta festividade na alma como neste momento que celebra a chegada de Jesus ao mundo. Se, neste período do ano, são possíveis a paz, a harmonia e a convivência pacífica entre as pessoas, é um sinal evidente de que tal será possível todo o tempo. Que o Natal sirva também para uma reflexão sobre esta verdade.

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