A confissão de Heinz Herwig sobre erros que cometeu quando Secretário dos Transportes, no Paraná, deixa crer que, se aconteceu com ele, o mesmo pode ter se dado com outros colegas, e poderá estar acontecendo também nos dias de hoje. E, a seguir-se essa linha, pode estar ocorrendo com os administradores públicos brasileiros no geral. Essa revelação pública do agora presidente do Tribunal de Contas do Estado, feita em tom de gracejo em reunião com presidentes de Câmaras Municipais, demonstra a forma como ele encarou esses cometimentos. ‘‘Se na época houvesse Lei de Responsabilidade Fiscal, eu seria preso’’, ele declarou. Agora essa lei existe, e se perante ela não há efeito retroativo, a confissão não perdeu atualidade, moralmente. O que Herwig confessou não foram propriamente erros – aos quais todos estão sujeitos –, mas irresponsabilidade. Veja-se: ele disse que, como Secretário, mandou construir pontes onde não era necessário e um trecho rodoviário onde não havia movimento. No caso da estrada, atendia a pedido de um deputado, e no dia da inauguração – com a presença também do governador – percebeu que esse caminho não atendia a interesse público e sim a uma propriedade agrícola do parlamentar. Pergunta-se como pode o titular de uma Pasta dessa relevância (ou qualquer outra função pública que fosse) investir dinheiro do povo em pontes sem grande serventia e em estrada, curta que fosse (embora com o chefe do Governo presente), sem certificar-se da importância de tais obras. Ele omitiu o nome do deputado, mas não é nem nessa omissão que reside e desfaçatez, mas nos fatos muito graves da conduta do então Secretário, que agora, como comandante do Tribunal de Contas, ele confessa. E com ingrediente humorístico e na presença de outros homens públicos a quem deveria dar melhor exemplo. É oportuno perguntar porque essa confissão não foi feita na época. Certamente que o caso já se enquadrou na caducidade de prazo, mas bem que caberia, hoje, uma admoestação pública ao depoente, ademais pela relevância da função que ele hoje ocupa, justamente a de policiar a lisura das administrações públicas. Uma tal revelação, acrescida do ar de gracejo e sem respeito aos contribuintes – que são os que pagam a conta por essas negligências – deveria ser punível com o ressarcimento do prejuízo aos cofres públicos. O então Secretário agiu irresponsavelmente e agora ainda faz graça, mesmo do alto do cargo que ocupa.

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