Uma manifestação por segurança
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sábado, 15 de junho de 2002
Benedito Teles<Br>Equipe da Folha 
Jacarezinho O Movimento Pró-Vida na BR-153, coordenado pela Associação dos Municípios do Norte Pioneiro (Amunorpi), realiza no próximo dia 17 uma manifestação para reivindicar o início das obras de recuperação no pavimento da rodovia. O protesto acontecerá no local em que a rodovia foi bloqueado no último dia 10. O trecho com cerca de 60 quilômetros entre Santo Antônio da Platina e Ibaiti está danificado em toda a sua extensão.
No trecho há buracos e em algumas áreas o pavimento cedeu. A velocidade média dos veículos na rodovia não ultrapassa 60 quilômetros por hora devido à irregularidade do pavimento. O Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT) não realiza a manutenção do trecho há pelo menos seis meses. A Polícia Rodoviária, em Ibaiti, informou que a irregularidade da pista provoca acidentes e, em média, cinco veículos por dia param às margens da rodovia para realizar reparos durante o trajeto de 60 quilômetros.
A manifestação ocorre uma semana após o bloqueio, promovido pela Amunorpi, com 200 toneladas de terra, que interditou o tráfego na rodovia. O prefeito de Japira e coordenador do movimento, Wilson Ronaldo Rony de Oliveira Santos (PSDB), informou que a liberação da rodovia só será negociada com uma decisão judicial ou com o início das obras de manutenção do trecho. A operação, realizada dia 10 por Santos, depositou o equivalente a 20 caminhões de terra nas margens e na própria rodovia para impedir o tráfego nos dois sentidos.
O prefeito de Santo Antônio da Platina e presidente da Amunorpi, Flávio Maiorky (PSDB), informou durante o protesto que a deterioração da rodovia provoca prejuízos econômicos e sociais para a região. Ele acredita que os buracos na rodovia aumentam a possibilidade de acidentes e vítimas. Maiorky cita o grande número de ônibus de estudantes que trafegam pelo trecho. Nossa preocupação é com as vidas, diz.
A direção da Amunorpi informa que no início de 2001 o então ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, realizou uma visita ao local e assegurou o início imediato das obras na região. Em seguida foi realizada uma operação tapa-buraco em cerca de cinco áreas. O projeto original de recuperação de todo o trecho, 15 meses depois, ainda não foi realizado. A entidade reivindica, além da retomadas das obras de manutenção, a licitação do projeto pelo governo federal para a restauração do trecho.
A expectativa dos coordenadores do movimento é reunir manifestantes de todos os municípios da região de Ibaiti. O bispo de Jacarezinho, dom Fernando José Penteado, além de padres e prefeitos da região, confirmou a participação no protesto. Segundo lideranças locais, o bloqueio é, pelo menos, a quarta manifestação com interdição da rodovia nos últimos anos. Em 2001 houve uma paralisação e em 2002, uma semana antes do atual bloqueio, o tráfego também foi interrompido.
O DNIT informou que não vai adotar medidas judiciais contra instituição, mas assegurou que o governo federal liberou recursos, na ordem de R$ 150 mil, para mediante licitação por carta convite iniciar uma operação tapa-buraco. A expectativa do órgão é que a obra de manutenção mantenha o tráfego até o início das obras de recuperação definitiva do trecho previstas para o próximo semestre.
Já a rodovia Parigot de Souza (PR-092), entre Santo Antônio da Platina e Jaguariaíva, também apresenta falhas em todo o pavimento. Naquele trecho, as obras de recuperação foram iniciadas em maio. A ordem de serviço foi liberada pelo governo do Estado e os recursos, na ordem de R$ 30 milhões, foram obtidos junto ao Tesouro Estadual. O trecho mais comprometido, com 75 quilômetros, entre Santo Antônio da Platina e Wenceslau Brás, foi dividido em três lotes e a licitação foi vencida pelas empresas Edec e Redram, ambas de Curitiba. O superintendente da Regional Norte do Departamento de Estradas e Rodagem (DER), Sérgio Gonçalves Leite, diz que as obras, com duração prevista para dois anos, já tiveram início com a drenagem do pavimento.
A rodovia que liga os municípios de Nova Fátima, Ribeirão do Pinhal, Jundiaí do Sul, Guapirama e Joaquim Távora, em um trecho com cerca de 60 quilômetros, também será recuperado pelo DER. A direção do órgão informou que o projeto de restauração do trecho será licitado e que as obras terão início com a liberação da ordem de serviço. O início das obras está previsto para as próximas semanas.


