Apenas 23 mil homens e 12 helicópteros são insuficientes para policiar 4 milhões de quilômetros quadrados do território amazônico e 11,5 mil quilômetros de fronteiras. Esta realidade fica demonstrada - embora não em forma de declaração explícita ou de crítica - pelo general Augusto Heleno, comandante militar da Amazônia, em entrevista exclusiva ao jornalista Wilhan Santin, da FOLHA DE LONDRINA, que com o repórter-fotográfico Sérgio Ranalli acaba de percorrer vários pontos daquela região. A uma pergunta, o general não declarou que é preciso fortalecer o contingente e o arsenal de defesa, mas respondeu que todo aumento de efetivos é obviamente benéfico.
O comandante reivindica que seu pelotão tenha não apenas 8 mas 24 horas diárias ''de luz'', isto significando equipamentos que permitam operação ininterrupta. ''Nossa garantia maior de soberania da Amazônia é possuir os melhores combatentes de selva do mundo'', declara. Perguntado sobre uma possível ingerência externa nesse patrimônio brasileiro, disse não ser catastrófico e que não vê a possibilidade de isso acontecer ''a curto prazo'', mas como força militar ''é preciso o Brasil estar preparado''. Seu alerta é sobre o movimento das ONGs ''não sérias'', por isso defende a necessidade da maior presença do Estado na defesa da área. Este Jornal tem defendido essa presença por via de uma mais intensa ação das Forças Armadas, que dispõem de recurso em homens e equipamentos para isso, só dependendo que haja a ordem da Presidência da República nesse sentido. Embora o comandante, em sua entrevista, não haja mencionado isso, pareceu não aprovar a idéia de se criar uma nova tropa de defesa ambiental específica para a Amazônia.
O presidente Lula chegou a conclamar ao Congresso que aprove essa criação. Mas tal investimento representaria um custo elevado para a nação (porque teria de haver novas contratações) e desnecessário se já existem as tropas das três Armas. Porque, como este Jornal já opinou, um efetivo pequeno não resolveria o problema, e um muito grande oneraria o gasto nacional. É pertinente perguntar-se sob as ordens de qual comando se subordinaria esse contingente, que naturalmente precisaria ser treinado em operações de selva e combate - e isso Exército, Aeronáutica e Marinha já sabem fazer. A idéia é estapafúrdia, e ademais esse ''exército'' paralelo arranharia a soberania da tropa oficial.
Conclui-se, pelas palavras do general-comandante à FOLHA, que há um anseio dos comandos militares em dedicar-se a essa empreitada patriótica de proteger a Amazônia dos predadores e invasores e prevenir contra uma eventual intromissão estrangeira na política da floresta. Que se não for cuidada pelos brasileiros poderá propiciar esse indesejado acontecimento.

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