Estribada no depoimento de um dono de posto de combustíveis, a repórter Fernanda Mazzini - em reportagem de ontem deste Jornal - revela que esse mercado abastecedor é gerido por um mafioso sistema que tem cartel, venda temporária abaixo do custo para conquistar mercado e prejudicar concorrentes, sonegação fiscal, falcatrua, denúncia, adulteração e uma guerra financeira, permeada de astúcias e também de golpes baixos. O cartelismo (que é o acordo de preços entre grupos concorrentes) existe, porque todos, por estratégia ou pressão, operam em consonância, segundo as conveniências.
Já a adulteração de combustíveis, segundo o depoente, foi abolida, pela ação do Ministério Público. Uma surpreendente revelação é que ''um único empresário coordena o sistema e é ele quem dita qual o preço que todos têm de praticar'', afirma o empresário entrevistado. Segundo o relato feito à repórter, há todo um jogo de pressão e de artifícios que resultam em baixa e em subida de preços, e quando a coisa assume certa proporção incontrolável entram as distribuidoras, e aí pode ocorrer de os renitentes (que insistem em preços baixos) irem à bancarrota. Essas distribuidoras praticam o que se denomina dumping. Mas dentro do setor há também os que afirmam que isto não funciona bem assim. Verdade que gente sabidamente honesta, que tinha posto, saiu do ramo sob a alegação de não aguentar o regime.
A Justiça Federal já foi acionada por denúncias de abusos, principalmente a sonegação de impostos. No meio desse tiroteio fica o consumidor, sujeito ao ritmo dessa dança. A informação que se tem é que isso funciona do mesmo jeito em todo o Brasil. É uma perversa estratégia de competição, de resto praticada na maioria dos ramos de atividade.
Assim, quando um cartel tende a baixar preços (porque isto também ocorre), os consumidores ganham; quando acontece o contrário, é óbvio que todos perdem, às vezes também o negociante, porque pode cair o consumo. Se todos operassem em sadia cooperação, sem abuso e sem propósito de um demolir o outro, certamente não haveria tanto antagonismo na atividade mercantil.
Nesse universo figura também a posição governamental de manter altos os preços dos combustíveis, mesmo com a declaração oficial de que o Brasil é auto-suficiente em petróleo ou está prestes a atingir essa meta. Novas jazidas são frequentemente anunciadas e a produção de biocombustível aumenta de volume, mas os preços nas bombas são sempre elevadíssimos. O consumidor nunca é contemplado.

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