Assim... a desejamos? Acompanhando as manifestações de Dra. Luciana Moreira, de toda administração municipal, da sociedade e das resistências a estas atuações, pergunto-me: quem realmente deseja uma Londrina melhor e mais justa?
Entre estes direitos incontestáveis está o da – após jornada de trabalho, intra ou intra domiciliar – garantia do repouso e calmaria, principalmente em se tratando de ruídos noturnos, rachas, som ambiente de alguns bares e casas levadas ao extremo da irresponsabilidade.
Vou ilustrar minha argumentação. Há alguns anos, como síndico eleito, lidei com situação muito difícil e no mínimo inusitada. O nível de barulho de alguns bares e clube social na área (durante bailes), era absurdo.
Encaminhei na época, para o departamento responsável na prefeitura, o meu pedido por escrito, e nada. A polícia, acionada, não dava conta das vezes que tentava coibir o som, rachas, carros estacionados sobre calçadas, gritarias, buzinas atravessando as noites, brigas e badernas dentro e fora dos bares.
Os ‘‘boyzinhos’’ (marmanjos ou não) para fazer ‘‘bonito’’ diante de suas novas conquistas, esticavam as marchas em seus novos modelos de carros; cavalos-de-pau eram normais.
Recolhi, junto aos moradores de todos os prédios e casas vizinhas, abaixo-assinado que foi encaminhado à prefeitura. Foi uma luta, durou mais de ano, mas a ‘‘música ambiente’’ foi desligada. Após alguns dias de sossego, um outro barzinho, destinado à musica country foi instalado de forma inesperada, exatamente ao lado do que teve o ‘‘apagão jurídico’’ determinado.
Para delírio dos caubóis uniformizados e das ‘‘amazonas noturnas’’, este novo bar – além do som altíssimo, permitia que cavalos, éguas e outros quadrúpedes estacionassem sobre as calçadas, urinando e defecando sobre elas.
Numa destas noites, em que retornamos à rotina da forçada vigília, conversei pessoalmente com o responsável. A minha maior surpresa foi encontrar ao lado e na frente do haras urbano, camisinhas espalhadas, seringas (?) e pequenos invólucros de papel transparente, com rastros de um pó branco, enquanto pais e familiares deveriam estar dormindo, confiando em pacatas festinhas de aniversário, jantares ou bailinhos.
Pois bem, comentei que aquela bagunça não poderia acontecer em pleno centro da cidade, ou em qualquer outro lugar.
Resposta: ‘‘E não adianta reclamar na prefeitura, temos ajuda lá dentro, daqui ninguém nos tira.’’ Não desistimos, insistimos e nossas providências foram até a extenuação. O bar foi fechado, as éguas, cavalos, seringas e plásticos, além das camisinhas e garrafas que emporcalhavam aquela bela avenida sumiram, junto com o horrível cheiro.
Agora, que se questiona o bem-estar do londrinense, novamente cabe à sociedade organizada – entre os quais cito por questão de respaldo, o ótimo Movimento pela Moralidade – ao Poder Executivo, Legislativo e Judiciário, maior zelo para com nossa qualidade de vida, independente de ‘‘violões quebrados’’ ou manifestações esdrúxulas de quem sabe dos próprios desejos, mas dos direitos dos outros nunca se lembra.
Woodstock e Rock in Rio têm locais certos e datas agendadas, mas nossa cidade não pode se tornar refém da bagunça organizada, e nem desejamos importá-la para dentro de casa.
E mais, senhores membros do Três Poderes evocados: nossas noites e madrugadas continuam a ser palco de rachas absurdos, de gritarias e baixarias, violências e sons que atravessam paredes e privacidades com a prepotência do ‘‘podemos tudo, quem vai nos segurar?’’.
Eu desejo uma Londrina melhor. Alguém mais se habilita?
- LUIZ EDGARD BUENO é escritor em Londrina

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