Uma liderança negativa
Há rankings que não orgulham quem deles participa: é o caso de o Paraná ter obtido um nível de inflação superior em mais de 30% (8,48%) à média nacional de 6,51%. Embora quem detenha mais mecanismos para enfrentar o processo seja a União, é visível, até por essa estatística perversa, os pontos específicos da pressão dos preços em termos regionais.
Não espanta, por exemplo, o fato de que a unidade federativa de inflação máxima tenha sido justamente aquela que paga, sem base em qualquer tabela de racionalidade, o maior salário mínimo regional do País. Ressalta nesse fato a ausência de um sistema de planejamento centrado num monitoramento de dados da economia. O registro nacional de 6,51%, apesar de pela primeira vez desde 2005 ter superado o teto da meta oficial para os 12 meses (6,5%) não parece ter sensibilizado o governo federal na política de arranjos macroprudenciais de enfrentar a crise já instalada. Basta lembrar que a meta do Banco Central é de 4,5% com uma tolerância de até 6,5%, ora superada.
A previsão de especialistas é de que a inflação em 12 meses até agosto ficará acima da meta oficial podendo chegar até 7%. A alta contida de juros mais as medidas de contenção do crédito adotadas desde o fim do ano passado revelaram-se insuficientes, embora a insistência dos seus executores de que as taxas tendem a cair. Só que se projeta a inflação de maio em 0,50% quando até a de abril cravou em 0,77%.
Entre os fatores causais estão os custos do transporte público, combustíveis, aluguel e taxas. A boa notícia de que com o início da safra há a tendência de queda do etanol com repercussão também no preço final da gasolina. Em Londrina a redução chegou a 13%, ficando abaixo dos R$ 2 em que se encontrava e numa variação de R$ 1,79 e R$ 1,99.
Ainda ontem reportagem desta FOLHA mostrava que a alta do etanol superava a inflação: nos últimos nove anos, conforme avaliação do Dieese, o preço do álcool subiu 102% enquanto o acumulado inflacionário chegava a 82%. Essas oscilações explicam porque o Brasil já teve a maior parte da frota em álcool e se viu impelido a mudar de orientação.





