A Petrobras decidiu ontem manter a licitação das agências de publicidade, mesmo após a denúncia de vazamento de informação. A licitação não será suspensa, portanto, apesar da irregularidade, que tanto pode ser algo inconsequente, sem prejuízos para os concorrentes, como, também, pode esconder favorecimentos, o que caracterizaria ato de corrupção.

Mesmo que a primeira hipótese - falhas na elaboração dos requisitos - seja a mais provável, a Petrobras deveria suspender o processo e dirimir todas as dúvidas. Há suspeita? Então, pelo sim ou pelo não, suspende-se a tomada de propostas e revisa-se item por item todos os documentos. Mas denúncias são algo que não parecem preocupar o atual governo, indiferente a críticas.

A denúncia partiu de agências não selecionadas para a segunda fase da licitação. Nesta primeira etapa, mais importante por contabilizar 70 dos 100 pontos totais da avaliação final, já foram selecionadas as três agências que dividirão a verba de R$ 250 milhões. É o maior orçamento anual no segmento de publicidade no País.

Segundo agências concorrentes, um site do setor teria divulgado o nome das três vencedoras desta etapa por volta das 11 horas, apesar da abertura dos envelopes só estar marcada para 14 horas na sede da estatal. A Pertrobras responde. ''Tivemos a informação de que os trabalhos da comissão de licenciamento encerraram-se antes da nota ser publicada no site. Ou seja, não há indícios de vazamento de informação''.

O que assusta não é a indiferença da Petrobras, nem a suspeita de vazamento, denunciada por empresas prejudicadas com o provável ilícito. O que assombra mesmo é a intensa propaganda da estatal do petróleo. Detentora de forte fatia do mercado e gestora da política de abastecimento, sem concorrência, vale perguntar: qual o interesse de tanta propaganda? Gasta uma fortuna, a julgar pelas inserções em horários nobres da tevê. E o material publicitário é altíssima qualidade; tem custo altíssimo e produção cinematográfica. Propaganda é investimento, não é gasto - garantem os publicitários. É verdade. Mas, no caso da Petrobras é pior que gasto, é desperdício.
Portanto, denunciar eventual cambalacho numa situação dessas, chega a ser algo desprezível. Os gastos com propaganda já são um acinte.

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