Uma injeção de dinheiro na economia e de otimismo no mercado. É o que o governo espera com a proposta de liberar R$ 42 bilhões das contas ativas do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço). A notícia da liberação para os próximos dias foi ventilada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, em viagem à Argentina para participar da Cúpula do Mercosul.

A medida faz parte de um plano mais amplo de reanimar a economia, por meio do estímulo ao consumo. Além da liberação dos recursos do FGTS, o governo federal fala também em mais uma rodada de saques do PIS/PASEP. Será uma medida significativa do governo Jair Bolsonaro para chacoalhar a economia, marcar os seis primeiros meses da administração do pesselista e, com sorte, rebater às críticas cada vez mais frequentes – vindas de todos os lados – de que o presidente está demorando muito para dar uma resposta ao eleitorado dos principais problemas econômicos do País, como o desemprego e o PIB (Produto Interno Bruto) decrescente. A demora na aprovação das reformas estruturais não ajudou nesses primeiros 200 dias de governo.

Por conta disso, a possível liberação de parte do FGTS acabou ganhando dimensão muito maior, nesta quarta-feira (17), do que a pauta da reunião de Bolsonaro, na Argentina, com outros líderes do Mercosul.

Sobre a liberação do FGTS, até essa quarta-feira a proposta não estava definida. Uma das ideias é autorizar saques proporcionais: quem tem até R$ 5 mil no fundo, poderia pegar 35% do saldo; trabalhadores com até R$ 10 mil no FGTS teriam autorização para sacar 30% e estudava-se uma parcela para quem tem entre R$ 10 mil e R$ 50 mil no FGTS – possivelmente seria 10%. A estratégia de liberar FGTS e PIS/Pasep não é nova e já foi usada no governo do ex-presidente Michel Temer (para contas inativas)

Mesmo apostando e priorizando as reformas da Previdência e tributária, elas são saídas para médio e longo prazo e para atrair investimentos. Um pacote de medidas que faça o dinheiro circular é bem recebido nesse momento em que a população está endividada e precisa do dinheiro para, pelo menos, colocar as contas em dia e movimentar a economia, que está paralisada. O governo precisa mostrar que está trabalhando para melhorar o ambiente econômico agora. A liberação de parte do FGTS é uma solução temporária. A superação da crise virá com medidas consolidadas de equilíbrio das contas públicas e da melhoria da produtividade do País.

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