Uma inclusão que ameaça excluir
O Ministério da Educação precisa recobrar a lucidez pedagógica e com ela a sua capacidade de distinguir os diversos graus de dificuldade e heterogeneidade dos portadores de necessidades especiais. É preciso levar em conta que não está tratando com um grupo uniforme de pessoas, todas com a mesma limitação e grau de recuperação. O potencial de recuperação também varia.
Se tivesse a humildade de ampliar o debate sobre uma questão tão delicada não estaria impondo essa inclusão, em alguns casos às avessas, de crianças especiais ao ensino regular.
Aos poucos, pais de crianças especiais, professores de APAEs e técnicos em TOs, em fim, profissionais que lidam com esses alunos, vão se posicionando, ainda que timidamente. E a maioria faz restrições ao projeto na forma como ele é concebido. Cabe ao Ministério da Educação analisar a posição dos pais, psicólogos e professores. Pior que o erro inicial é não transigir agora diante das evidências.
Evidências como as apresentadas pelo presidente da Federação das APAEs do Paraná, José Turozi (entrevista na página 3). Ele afirma que os portadores de necessidades especiais precisam de atenção diferenciada. O Conselho Nacional de Educação (CNE) não deve saber a real dimensão da atenção diferenciada apontada por Turozi.
Ao dar parecer favarável a proposta de inclusão escolar, o órgão parece ter-se inclinado para a simpatia da palavra inclusão. O que o CNE deseja, os pais também almejam. Qual pai que não quer a inclsuão do seu filho (na escola, no esporte, no ônibus, etc)?. Mas os pais - e também os professores - sabem lidar com a limitação e estão conscientes da linha tênue que separa a inclusão forçada da dificuldade de adaptação (para descartar o termo constrangimento).
Outro ponto a ser questionado: o MEC tem que apresentar uma proposta real do destino da atual estrutura de ensino especial. Nos últimos cinco anos, a Federação das APAEs colocou quase 4 mil alunos no ensino comum e aproximadamente 2 mil no mercado de trabalho paranaense. No entanto, a família deve ter a liberdade para matricular seu filho em uma Apae ou procurar outra escola, observa o dirigente.





