Se a Igreja, porque lhe convinha, ocultou as narrativas sobre a vida de Jesus dos 13 aos 30 anos, vamos encontrar nos manuscritos tibetanos a revelação da passagem do mestre por terras da Índia. Foi lá onde ele andou durante pelo menos 15 anos daquele período. E por que a Igreja não desejou juntar, aos relatos que compõem as Escrituras, a presença do nazareno por aquele país, pelo Tibete, pelo Egito, pela Pérsia? Porque teria de admitir que ele foi para esses lugares aperfeiçoar-se no conhecimento da Palavra Divina. E com quem? Com lamas e budas, com magos e outros sábios. Sêr terreno em que se convertera, pela descida de seu privilegiado espírito a esta dimensão, Jesus não podia contrariar a lei e precisava aprender, assim como todos, pela mesma razão que tinha de alimentar-se e cuidar-se como pessoa.
Jesus era apenas um adolescente, embora já dotado de singular sabedoria, quando teria ingressado para uma convivência com os essênios uma evoluída fraternidade isolada do Monte Carmelo e depois juntou-se a mercadores de Jerusalém e foi para a Índia. Os manuscritos dizem que ali o povo o amou, porque ele ensinava belas coisas e vivia em paz com as castas inferiores, e também aprendia. Foi, por isso, perseguido e condenado a morrer, mas avisado em tempo, partiu, à noite. Ele já dizia, nesse meio e nesse tempo, que as castas superiores haviam enchido os templos com seus próprios ódios. Os escritos antigos dos lamas hoje disponíveis para quem ousar galgar as montanhas do Tibete e alcançar os picos onde estão os mosteiros de Lassa e Himis atestam que Jesus andou por aquelas paragens e também esteve no Nepal e no Himalaia. Nesses lugares ele viveu, estudou e ensinou durante a maior parte de sua vida adulta. Só a partir daí, já por volta dos 30 anos, retornou à Palestina.
O ensinamento de Jesus, com efeito, é idêntico aos fundamentos do budismo, que é anterior ao cristianismo. Há uma semelhança ritualística muito grande entre as doutrinas dos budas e lamas e a cristã, e tal não se dá por acaso, mas porque houve certamente algum intercâmbio. Os monges celebram um culto com pão e vinho, dão extrema-unção, fazem procissões, abençoam o matrimônio, reverenciam santos, jejuam. O canto mântrico dos lamas se assemelha ao canto gregoriano, eles passam por penitências, consagram seus sacerdotes e os enviam para missões aos mais distantes lugares, praticam o exorcismo e o incensório, rezam terços e ladainhas, fazem retiro espiritual, adotam o celibato, ungem-se com água benta e têm na cruz um símbolo (embora a cruz tenha também outro sentido, de ordem metafísica, como a representar o homem horizontal e vertical).
O Evangelho de João começa com uma citação dos Vedas, a milenar escritura sagrada do hinduismo, que antecede os livros bíblicos: ''No princípio era o Verbo...''. (Há citações de que Jesus teria se oposto aos Vedas, em algumas partes, pois esse texto condensa a síntese de 18 mil livros e é também um código moral e legal). Também os apóstolos Tomé e Bartolomeu andaram pelo Oriente, pregando o Evangelho e certamente aprendendo, mas castas sacerdotais brâmanes tinham suas impurezas e os puniram barbaramente. (Este relato que faço sobre Jesus tem apenas o objetivo de ressaltar uma passagem histórica não revelada de sua vida, e que agora vem à tona).
De muita coisa a Igreja então dominante no Ocidente ocultou registros, e os Concílios de Trento e Nicéia reduziram a quase nada os ensinamentos das verdades transcendentais, emanadas do próprio Jesus. As lideranças eclesiásticas não entendiam a profundidade dessas revelações, até pela ausência de suficiente evolução espiritual, logo não saberiam explicá-las aos fiéis, certamente inquiridores, então mais fácil era suprimi-las e classificá-las como herejes e espúrias. Esse não-alcance pleno da compreensão acerca das verdades eternas ainda persiste nas igrejas dominantes, porque muitas pontes que poderiam conduzi-las a esse entendimento foram dinamitadas. Houve por isso um atraso na evolução espiritual dos seus fiéis, que foram convertidos em adoradores e ignoraram o poder divino em si próprios, por isso hoje sofredores e cheios de incertezas. Creia quem quiser e como quiser, mas Jesus, no plano em que se encontra, está se queixando disso... porque os homens não entenderam por inteiro o sentido de muitas de suas palavras.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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