Uma guerra sem vencedores
O que acontecerá com a economia mundial caso Estados Unidos e China travem uma guerra comercial ainda é uma incógnita, mas especialistas ouvidos pela reportagem da Folha de Londrina já adiantaram que os resultados não serão positivos. Se o mercado global sentiu os efeitos, em março deste ano, do anúncio dos Estados Unidos de uma sobretaxa de 25% nas importações de aço, a tensão aumentou quando o presidente Donald Trump estabeleceu novas taxas específicas para a União Europeia. Mas se os americanos e os chineses (as duas maiores economias) adotarem medidas protecionistas, os efeitos serão imprevisíveis. Estados Unidos, União Europeia e China concentram 80% do mercado internacional.
É certo que muitos países, em vários momentos, acabam adotando medidas protecionistas. A própria União Europeia fez uso dessa prática para proteger seus agricultores. Mas quando os Estados Unidos, campeões em comércio exterior, decidem partir para o confronto, todos têm razão para se preocupar. Desde o século passado o mundo vive um processo de integração comercial, que começou aos poucos e se intensificou na década de 1990.
Alguns analistas consideram que a princípio a economia brasileira vai se beneficiar, principalmente os Estados que são grandes produtores de commodities agrícolas, mas a longo prazo aparecerão as complicações. O conflito pode levar à redução da competitividade em escala global, fazendo os preços dos produtos subirem.
A onda protecionista ganhou força na campanha de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, mas é um movimento que vem ganhando força em vários países que também acabam criando barreiras contra as importações. Eles encontram justificativas para esse comportamento dizendo que os produtos importados chegam com preço baixo e roubam empregos, prejudicando os trabalhadores. É o conceito "America First", que Trump fez questão de impor no seu discurso de posse. Por enquanto, os dois gigantes estão na fase das ameaças. A paz ainda é possível, o que seria ideal para todos, mantendo o livre comércio forte e saudável. É uma guerra sem vencedores.





