Uma guerra que ninguém quer ver
A brisa do inverno recém-chegado dava o tom frio na noite da última segunda-feira no Cemitério Jardim da Saudade, na Zona Norte de Londrina. A sala de velórios um espaço com seus cerca de trinta metros quadrados, adornado com apenas uma tímida coroa de flores abrigava o corpo do garoto Fábio Roberto da Silva. Aos 14 anos, Peninha fora morto na madrugada anterior, no Jardim Nossa Senhora da Paz, um dos endereços recorrentes na cruel guerra das drogas travada todos os dias na cidade.
Nessa batalha que se agrava velozmente, as vítimas nunca foram inocentes e jamais receberão honrarias. Quando muito, as lágrimas da mãe, do irmão ou de algum amigo com coragem a última despedida. Ou ainda de profissionais dos projetos comunitários e sociais, que muitas vezes assumem o papel que deveria ser cumprido pela família e pelo Estado.
A grande ausência naquela noite triste, porém, não era de pessoas. E sim de iniciativa. Uma história sangrenta vem sendo escrita todos os dias em Londrina. Seus capítulos foram anunciados claramente pela Folha em dezembro, quando o Jornal alertou que o tráfico está jurando de morte e executando adolescentes e jovens que dele fazem parte por opção ou coação.
Desde dezembro, os casos vêm se repetindo, transformando vidas perdidas em dados de estatística. Mesmo assim, e apesar da afirmação da Promotoria da Infância e da Juventude concluir que há grupos de extermínio agindo na cidade, há um silêncio doloroso entre as autoridades e órgãos envolvidos nesse drama. Ninguém se levanta contra a guerra. E ela continua matando.
Roberto Francisco





