Uma guerra difícil
O ano de 2013 está sendo muito bom para o mosquito Aedes aegypti. Oitenta por cento dos casos de dengue surgidos no Paraná neste calendário epidemiológico (de agosto de 2012 a julho de 2013) foram registrados em janeiro e fevereiro. O transmissor da dengue encontrou nestes dois meses a quantidade ideal de chuva e calor intenso para se reproduzir tranquilamente. O momento político também parece ter beneficiado o Aedes, pois muitos municípios reclamam que a falta de dinheiro em caixa (situação causada pela mudança na administração das prefeituras) afeta as ações de combate ao mosquito.
Faltando cinco meses para o fim do atual período epidemiológico, o Paraná já registrou o dobro dos casos confirmados em todo o período anterior. De agosto de 2012 a 25 de fevereiro de 2013, foram 5.438 confirmações de dengue. De agosto de 2011 a julho de 2012 o Estado contabilizou 2.678 casos. Por aqui, a epidemia de dengue atinge 13 municípios e provocou seis mortes, sendo quatro em Peabiru, uma em Campo Mourão e uma em Paranavaí. Cinco vítimas tinham mais de 60 anos.
Em todo o Brasil, neste ano, chega a 204 mil o número de casos e o Paraná está entre os Estados mais afetados. Diante desse quadro, as autoridades estão preocupadas pois, historicamente, março é um mês bastante chuvoso. Esta semana, fontes do Ministério da Saúde (MS) chegaram a falar em situações de alerta diante da transmissão intensa em alguns municípios.
O MS considera duas explicações para o crescimento dos casos de dengue em 2013, a disseminação do vírus subtipo 4 e uma alta infestação do Aedes aegypti. Para que não se repita a grande epidemia de 2010/2011, é preciso agir muito rápido, combatendo os criadouros do mosquito e capacitando a rede pública para identificar rapidamente os sintomas nos pacientes que se apresentarem nos hospitais e postos de saúde. De agosto de 2010 a julho de 2011, o Paraná teve 29.207 confirmações da dengue e 15 mortes em decorrência de suas complicações.
Infelizmente, desde o reaparecimento da dengue no Brasil, na década de 1980, a batalha contra o Aedes aegypti tem se mostrado muito difícil. O crescimento desordenado das cidades, o aumento de resíduos não-orgânicos que viram facilmente criadouros, campanhas de saúde pública ineficientes e a falta de conscientização da população são fatores que tornam tão difícil vencer a guerra contra a dengue.





