Uma guerra contra as drogas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 14 de abril de 2003
Jorge Salles 
Um grupo de técnicos em saúde mental, num primeiro momento por iniciativa própria e depois apoiados e estimulados pelo secretário de Justiça, Aldo Parzianello, definiu as diretrizes e ações necessárias para que o Paraná assuma a liderança na prevenção das dependências às drogas. Três estratégias ficaram estabelecidas: a primeira foi a adequação da estrutura da secretaria de Justiça, com a criação da coordenadoria estadual antidrogas, do conselho estadual antidrogas e da Escola Paranaense de Estudos do Comportamento - EPEC.
A segunda, é dar ênfase total ao treinamento e formação de técnicos em prevenção, em vários níveis, pela EPEC em parceria com instituições públicas e privadas como secretarias de educação, saúde tanto do Estado como municipais , universidades, Ongs, igrejas, associações de classe, clubes de serviços, sindicatos, entre outras.
Dois projetos previstos nesta etapa já foram inclusive detalhados: o treinamento a Orientadores Educacionais e Professores de Educação Física, por constatação que estes profissionais são os que estabelecem no ambiente escolar o maior vínculo com o público alvo crianças e adolescentes e a estruturação do portal Comunidade Paranaense de Prevenção, Tratamento e Redução dos Agravos, em parceria com a Celepar, que será um fórum de discussões e orientações, além de conter informações previamente avaliadas sobre cursos, locais de tratamento, perfil das instituições envolvidas. Uma forma moderna e ágil de estabelecer a interface com a população paranaense.
A terceira prevê a municipalização das ações através das prefeituras que serão estimuladas a criar existe legislação já consolidada que determina essa obrigatoriedade os Conselhos Municipais Antidrogas, além de apoiar efetivamente os poucos já existentes, com o treinamento de seus integrantes em conjunto com os membros dos Conselhos Tutelares da Infância e Adolescência que já estão organizados em todos os municípios e atendem o mesmo público-alvo. Garantir ao menos parceria técnica, com treinamento didático-pedagógico dos profissionais de todas as instituições municipais que vêm carregando, heroicamente, sem nenhum apoio do poder público, a bandeira da prevenção e do tratamento.
O financiamento de todos essas ações seria pelo aporte de recursos do tesouro que tal reservar uma parte do ICMS advindo das vendas de cigarros e bebidas? e com a regulamentação do Funpred (Fundo Estadual de Prevenção ao Abuso de Drogas) que permitiria ao Estado receber recursos federais do Funad (Fundo Nacional Antidrogas). O primeiro passo dessa grande marcha são as providências administrativas e, neste caso, o projeto já se encontra na Secretaria de Planejamento para análise e encaminhamento à sanção do governador Roberto Requião. Cabe à sociedade se manifestar cobrando estas medidas.
JORGE SALLES é médico psiquiatra em Curitiba e participou como voluntário da equipe que organizou o programa


