Já passa dos limites a duração da greve dos fiscais da Receita Federal de Paranaguá, e é tempo de o Governo negociar com os grevistas uma saída para o impasse. Ocorre que essa paralisação, denominada operação-padrão e que já dura 45 dias, pode inviabilizar a linha de produção de várias empresas do Estado, devido à demora na liberação das mercadorias que chegam ao porto. Assim, esse conflito representado pela interrupção da atividade dos fiscais pode resultar na paralisações também de importantes setores empresariais, gerando um desdobramento de prejuízos sem conta. Um dos segmentos atingidos é o automobilístico, pela falta de peças importadas que chegam por via marítima e desembocam no terminal paranaense.
As classes produtoras atingidas têm recorrido à Justiça Federal, e felizmente, pela sensatez desse Poder, liminares estão sendo concedidas para permitir o desembaraço de certas cargas. Mas isso não significa a solução do problema, porque não há número suficiente de operadores para a execução dessas decisões judiciais, em face justamente da operação-padrão. Há natural perda de tempo e muito transtorno, se já não bastassem os tantos que a cadeia produtiva enfrenta. Ademais, há mercadorias paradas desde o início da greve, porque os fiscais só atendem às solicitações circunscritas às liminares, e estas se vinculam a empresas filiadas à Federação das Indústrias do Estado do Paraná, que patrocina a ação junto à Justiça. Empresas não filiadas à FIEP acabam prejudicadas, por não contar com essa cobertura.
Inconcebível que o Governo deixe que uma tal situação de greve ocorra e, na continuidade, permita que demore tanto tempo para solucioná-la, mesmo ciente das nefastas consequências que isso gera. Revela-se assim, o empregador governamental, mau gerenciador das incumbências que lhe compete, primeiro por negligenciar e deixar que uma reivindicação não negociada resulte em greve em seus quadros, e segundo por não evitar que ela se alastre, causando tanto dano ao Brasil responsável, aquele que produz e como se diz em linguagem popular segura a barra deste país. Quarenta e cinco dias de greve, por ausência de diálogo, é muito tempo, principalmente num setor vital como o terminal portuário de Paranaguá. Uma incoerência ante o apregoado empenho do governo de expandir e aperfeiçoar sua política de comércio exterior.

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