A gre­ve dos fun­cio­ná­rios da Cai­xa Eco­nô­mi­ca Fe­de­ral - a des­pei­to dos ­bons re­sul­ta­dos - ex­põe im­per­fei­ções nas re­la­ções do sin­di­ca­lis­mo e do se­tor pú­bli­co com a so­cie­da­de. Em pri­mei­ro lu­gar, não há co­mo ne­gar o trans­tor­no cau­sa­do na vi­da das pes­soas. Fo­ram 28 ­dias que tu­mul­tua­ram a agen­da de ­quem tem qual­quer ti­po de ne­gó­cios com o ban­co.
  Dis­cre­ta, po­rém per­sis­ten­te (per­ti­naz!), a gre­ve não te­ve o ba­ru­lho de ou­tras opor­tu­ni­da­des. Pou­ca pan­fle­ta­gem e, tam­bém, pou­cos es­cla­re­ci­men­tos aos usuá­rios dos ser­vi­ços com­pro­me­ti­dos.
  Já não se fa­zem gre­ve co­mo an­ti­ga­men­te. No en­tan­to, o con­cei­to an­ti­go pre­va­le­ceu. E ­qual é o con­cei­to - que de­ve ser re­vis­to? Na au­sên­cia de uma ne­go­cia­ção in­te­li­gen­te (ou se pre­fe­rir: na au­sên­cia de in­te­li­gên­cia nas ne­go­cia­ções) par­te-se pa­ra o ­pior, a gre­ve, e fez-se uso de um re­cur­so igual­men­te an­ti­go: o pú­bli­co co­mo re­fém. Sem ne­go­cia­ção - por­que o pa­trão (do se­tor pri­va­do ou pú­bli­co) não tran­si­ge - im­põe-se a sus­pen­são do aten­di­men­to. Já ocor­reu na Saú­de, na Edu­ca­ção e ou­tros se­to­res, co­mo o ae­ro­viá­rio.
  Só que o pa­trão, no ca­so da Cai­xa, é o go­ver­no, que de­tém os di­vi­den­tes ne­ga­ti­vos. Por­que, co­mo ex­cla­mou uma se­nho­ra do al­to dos ­seus ses­sen­ta e tan­tos ­anos: ‘‘Que cul­pa nós te­mos se o go­ver­no não aten­de aos pe­di­dos dos gre­vis­tas, ain­da ­mais quan­do se sa­be que são fa­ri­nha do mes­mo ­saco’’.
  E ca­be per­gun­tar ­mais: Que con­si­de­ra­ção tem es­sa gen­te pa­ra com o pú­bli­co? O ou­tro pon­to a ser ana­li­sa­do é o pró­prio sin­di­ca­lis­mo. Vai lon­ge o tem­po em que o sin­di­ca­lis­mo aguer­ri­do ocu­pa­va as ­ruas fa­zen­do pan­fle­ta­gem e es­cla­re­cen­do a opi­nião pú­bli­ca so­bre ­seus ob­je­ti­vos. Foi as­sim que cres­ceu no con­cei­to da co­mu­ni­da­de. Ago­ra não pre­ci­sa ­mais.
  Al­gu­mas evi­dên­cias: De­pois que o go­ver­no coop­tou os di­ri­gen­tes sin­di­cais - e ­eles ade­ri­ram com mui­ta ale­gria - hou­ve um es­va­zia­men­to do ideá­rio de lu­ta dos tra­ba­lha­do­res. O ade­sis­mo, triun­fal - por­que ‘‘ago­ra o nos­so par­ti­do é que es­tá no ­poder’’ - en­fra­que­ceu a lu­ta sin­di­cal.
  Al­guém já dis­se que os di­ri­gen­tes do sin­di­ca­lis­mo bra­si­lei­ro apro­xi­ma­ram-se do go­ver­no e se afas­ta­ram dos tra­ba­lha­do­res. A ob­ser­va­ção faz sen­ti­do. Com­por­ta acres­cen­tar: dos tra­ba­lha­do­res e da po­pu­la­ção.

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