Uma festa pela paz
Os povos de todas as nações têm anseios de paz e não perdem a oportunidade de manifestar esse sentimento, como se assistiu ontem na festa de abertura da Copa do Mundo. O belo espetáculo mostrado pelos coreanos foi inteiro uma mensagem de união e convivência pacífica para os habitantes da Terra e um apelo para a comunicação, a harmonia e o compartilhamento temas da coreografia, denominada Desde o Oriente, a significar o brado de uma região duramente marcada por dissenções e pelo separatismo.
Sentem os irmãos das duas Coréias (a do Sul, onde se realiza a Copa, e a do Norte) o drama da separação territorial e ideológica e que separa também, desde muitos anos, integrantes de mesmas famílias, por conta de regimes governamentais de passado não muito distante, quando os dois blocos se enfrentaram numa prolongada guerra, alimentada por potências estrangeiras. Povos que viveram destruição e morte por conflitos armados, dentro de seus próprios territórios, conhecem melhor do que ninguém esses horrores, e são eles que agora nos alertam, com a conclamação à paz que se viu ontem, simbolizada no ritual da festa no Estádio de Seul.
A Copa do Mundo pode servir de exemplo, a mostrar que as disputas entre as nações se bastariam dentro dos campos de futebol e das canchas dos demais esportes, na corrida pela melhor qualidade de vida no planeta, no jogo salutar de criar e partilhar conhecimentos. Com o direito do aparentemente mais fraco também vencer, como ocorreu ontem com a vitória do estreante Senegal com a França, atual campeã do mundo, sem violência e sem hostilidade, mas em clima de sadia competição.
As oportunidades devem ser iguais para todos, assim como deve ser, para todos, a igualdade de tratamento. Há terra e espaço suficientes para a humanidade inteira, produção alimentar vinte vezes superior à necessidade de cada indivíduo, há disponibilidades que possibilitam conforto, saúde física e bem-estar para a população inteira do planeta, mas a divisão igualitária desses bens só será possível árepetindo os lemas da festa de abertura da Copa se houver comunicação entre os povos, harmonia e vontade de repartir e compartilhar.





