Uma explicação sincera para o apagão
A energia é um setor que tem que ser visto, cuidado e observado por pessoas tecnicamente competentes, com formação específica para atuar nessa área. Com aventureiros, vai ser uma apagão atrás do outro.
A declaração acima, do professor do Departamento de Engenharia Elétrica da UEL José Fernando Mangili Júnior, na entrevista publicada ontem na página 3, demonstra a importância da escolha de técnicos competentes para atuar em áreas estratégicas, como o setor de energia elétrica.
O recente apagão, que atingiu 18 Estados no dia 10 de novembro, chamou a atenção da opinão pública para o problema da infraestrutura do setor elétrico nacional. Independentemente da corrente política que ocupa o poder no momento, o investimento correto em manutenção, ampliação e modernização das linhas de transmissão é imprescindível para que o País não enfrente novos blecautes, que têm o potencial de paralisar a economia nacional.
Especialista no tema, o engenheiro eletricista ressalta que a possibilidade de falha é inerente a quaisquer sistemas. Não existe sistema 100% seguro, salientou na entrevista, em que acrescentou que o sistema elétrico brasileiro é de boa qualidade e não é tão vulnerável. Para que as ocorrências diminuam, é essencial que os investimentos no setor sejam maiores no futuro.
As críticas de José Fernando Mangili Júnior também tiveram como alvo a demora das autoridades em divulgar oficialmente as causas do apagão. Causas, aliás, que mais de uma semana depois do incidente ainda não foram completamente esclarecidas. A alegação divulgada pelo Ministério de Minas e Energia de que o blecaute foi provocado por um curto-circuito, na análise do especialista, também não se justifica.
O engenheiro garante que o sistema brasileiro está preparado para receber descargas atmosféricas sem, no entanto, comprometer o fornecimento de energia aos consumidores. O problema, portanto, pode ter sido algum tipo de falha no sistema, como atuação indevida de dispositivo de proteção ou gerenciamento inadequado.
De qualquer forma, ninguém melhor que técnicos capacitados para identificar os problemas que levaram ao apagão e indicar os investimentos necessários para minimizar os riscos de que novos blecautes ocorram.





