Depois da insensatez de manter uma greve por exatos 30 dias, a providencial intervenção da Promotoria Pública e da Justiça colocou um ponto final na paralisação dos servidores públicos municipais, em Londrina. Foi preciso esse diligenciamento externo para que o bom-senso se estabelecesse e a ordem fosse restaurada. Na soma de resultados, a longa greve não beneficiou a ninguém e não serviu para nada, a não ser para causar transtornos à população e desgaste para as partes envolvidas, na verdade três: o sindicato, a administração municipal e os grevistas propriamente ditos, porque entre estes boa parte não desejou entrar no movimento e quis logo sair dele, só não o fazendo pelo patrulhamento que sempre ocorre nesses casos. Se a Prefeitura logo de início posicionou-se contra a concessão de aumento salarial, sob a alegação de falta de recursos, estava definido que dali pouco ou nada se obteria. Persistiu o sindicato na manutenção da greve e ao final tudo resultou numa inutilidade, a não ser para demonstrar que ideologias afins nem sempre se entendem. Porque o episódio foi intestinal e envolveu um sindicato, que como todos os congêneres tem postura sobejamente conhecida, que beira ao ''quanto pior melhor'', e um patrão petista, no caso a chefia da Prefeitura, cujo partido no poder tem vasto histórico de predileção por greves. A afinidade, no caso, não funcionou, e mostrou a ambos que na prática a teoria é outra. Uma vez no exercício do poder, posições se invertem. Quem foi algoz no caso o tradicional partido promotor de greves, de repente vê-se convertido em vítima, se pode ser assim chamada uma instituição que sofre um mês inteiro de parada e de grevistas fazendo discursos diários, com seus megafones, a pouca distância do gabinete do chefe. No mínimo uma experiência nunca imaginada e uma reversão de conceitos sobre o exercício de fazer greve e sobre quem, em determinada hora, ficou sob o seu guante. Conhecedoras, ambas as partes, das armas e metodologias usadas nas táticas de greve, houve entre elas um empate técnico, sem vencedores, mas com escoriações em ambos os lados e uma revelação ao público assistente de que as relações entre iguais às vezes são difíceis, e que entre eles pode haver sérias rupturas. Os companheiros não falam a mesma língua (e pensava-se que sim) e por isso não se entenderam.

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