Os produtores da região de Castro plantavam batatas. E vendiam estas batatas sem gerar um único centavo de ICMS para o Estado, já que o produto é um dos componentes da cesta básica. Num belo dia, os produtores passaram a vender suas batatas para uma indústria que se instalou na cidade e que, por sua vez, passou a vender batata cozida e embalada a vácuo. Em um ano de funcionamento, a indústria arrecadou para os cofres públicos R$ 240 mil em ICMS.
Este á apenas um exemplo prático do que pode fazer a tecnologia por um produto da terra. Ela sustenta novos investimentos, gera empregos e agrega valores aos nossos produtos. A tecnologia é a base, junto com a matéria-prima, para a agroindústria, que pode revolucionar o perfil econômico do Paraná, pois se adapta a todas as regiões. Se a agroindústria ainda não floresceu em todo o seu potencial é porque depende de tecnologia, que é caríssima. Voltando a Castro, o empresário de lá desembolsou 60 mil dólares apenas pelo direito de usar a tecnologia francesa de processamento de batata, desenvolvida ainda no início do século.
Tenho me utilizado deste exemplo para definir a importância de uma lei que será votada nesta terça-feira pela Assembléia Legislativa. Trata-se da regulamentação do artigo 205 da Constituição Estadual, que destina 2% da receita tributária ao fomento da Ciência e Tecnologia. Se for aprovada a regulamentação, o Paraná passará a contar, pela primeira vez, com uma política definida para o setor.
Com base na arrecadação deste ano, seriam investidos anualmente 58 milhões de reais, divididos da seguinte maneira: metade para os projetos estratégicos do governo e metade para os projetos apresentados por pesquisadores, empresas e institutos, e analisados por uma comissão partidária formada por representantes do governo, das comunidades científica, tecnológica, empresarial e trabalhadora.
Tão importante quanto a tecnologia é a questão da Ciência e da pesquisa básica. O Norte do Paraná vive hoje a euforia da descoberta de uma técnica desenvolvida pelo Iapar que resgata uma cultura relegada ao exílio - o café. A pesquisa do café adensado trouxe a possibilidade de voltarmos a plantar o produto, que tem vocação social, pois gera mais empregos e fortalece a pequena propriedade. A pesquisa está ressuscitando um dos principais pioneiros de nossa história.
Já falei da batata e do café, mas poderia ainda falar da pecuária, da soja, da madeira, dos minérios ou de qualquer um dos produtos que são fonte de riqueza do Paraná. Produtos que são dádivas da nossa terra fértil e do trabalho incansável de nossa gente. E que pedem para serem aprimorados pela inteligência e pela técnica.
Investir em Ciência e Tecnologia é apostar na capacidade de gerarmos inovações, proporcionando ganhos de produtividade e garantindo avanços essenciais em todas as áreas, como a saúde. Nunca é demais lembrar que o Brasil gasta 0,6% de seu PIB em atividades científicas e tecnológicas, enquanto o Japão gasta 3% de um PIB muito maior. Enquanto isso, no setor produtivo brasileiro, estimativas indicam perdas de até 40% do produto industrial devido aos níveis de qualidade estarem abaixo dos padrões internacionais.
Mas não basta que o Estado apenas despenda recursos em Ciência e Tecnologia. É de sua responsabilidade estabelecer uma política de investimentos que articule as necessidades estratégicas com as condições de competição internacional, promovendo o desenvolvimento sustentável. Deve também garantir que o progresso esteja voltado para a melhoria da qualidade de vida, respeitando o meio ambiente e buscando o desenvolvimento social. Sem se esquecer de proporcionar aos trabalhadores, tecnólogos e cientistas condições para que possam incorporar e adaptar criativamente novas tecnologias.
A comunidade paranaense ligada às atividades científicas e tecnológicas deu uma demonstração de que está disposta a seguir junto com o governo na formulação de uma política que traga resultados para toda população. A proposta que aguarda votação na Assembléia é fruto de um longo debate entre universidades, sindicatos, associações e cooperativas, que procuraram aprimorar o projeto do próprio governo, indicando uma estrutura moderna enxuta e ágil de gerenciamento dos recursos. Essa união em torno da Ciência e Tecnologia traz a certeza de que o Paraná pode buscar a modernidade pautando-se pelo diálogo, ouvindo quem muito já fez e encarando com responsabilidade o futuro.

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