Uma eleição tumultuada em Londrina
A Justiça Eleitoral não poderia ter deixado as coisas rolarem dessa forma, a ponto de manter até a véspera da realização do segundo turno, em Londrina, um clima de expectativa e tensão. Se, no turno do dia 5, o eleitorado já votou com dúvida sobre o que viria a acontecer em face do pedido de impugnação contra o candidato Antonio Belinati esperava-se que logo nos dias seguintes uma decisão conclusiva fosse anunciada, mas não aconteceu. E a situação ainda é de impasse.
O Tribunal Superior Eleitoral andou sobrecarregado de tantos processos semelhantes por julgar, mas pela importância da cidade o caso de Londrina já deveria ter sido encerrado bem antes do primeiro turno. Porque assim o eleitorado teria se posicionado diante de um outro quadro de candidatos e com tempo suficiente para uma reavaliação de sua escolha. O episódio fere princípios da democracia e coloca Londrina num rumo incerto sobre o resultado final desta novela de suspense.
A assessoria de imprensa do Tribunal Superior Eleitoral em cuja instância o caso se encontra informou a este Jornal que não há notícia de outra eleição em que um dos candidatos no segundo turno estivesse sob julgamento na véspera do pleito. Com um colégio eleitoral expressivo, suficiente para haver colocado o município em segundo turno, esta cidade-sede de região metropolitana merecia que o TSE lhe houvesse dado prioridade no julgamento desse tumultuado caso. Enquanto tudo isso ocorre, 340 mil eleitores estão aptos a votar e darão o seu veredicto hoje, e este, em qualquer circunstância, precisará ser respeitado, porque se tratará de soberana decisão popular. Ou então se joga pelo ralo um elementar postulado da democracia. Se os órgãos da Justiça não decidem em tempo hábil, a ponto de gerar inquietação, que então deixem prevalecer a sentença derradeira do povo. E esta, pela sua legitimidade, aponta para a lógica de que tal decisão deva ser mantida e, por si só, coloque um ponto final nesse drama político.
Diz-se que a vontade do povo é a suprema lei, e se assim é, o resultado das urnas em Londrina que pela rapidez da contagem já se conhecerá duas horas depois de encerrada a votação terá em si o mérito de ser prevalecente. Será o povo decidindo por ele mesmo e pela Justiça.





