Uma eleição sem direita
O pleito nacional vai comprovar que o espectro ideológico anulou a direita, o que seria impossível na Europa, nos Estados Unidos da América do Norte ou em qualquer país politicamente estruturado. Os quatro principais postulantes, de José Serra a Dilma ou de Marina a Plínio de Arruda Sampaio, são de esquerda, historicamente aí alinhados.
Para o filósofo Norberto Bobbio isso não seria aceitável até porque, no seu empenho de fazer uma ponte entre o liberalismo e o socialismo, o qual representava como senador vitalício da Itália, a direita expressaria o senso da liberdade e a esquerda o da igualdade. No Brasil, durante longo tempo, a esquerda era o populismo de Getúlio Vargas, apesar das aproximações que na fase ditatorial teve com o fascismo, expresso na circunstância de que as leis trabalhistas tinham sua origem na Carta del Lavoro de 1927.
Depois da Queda do Muro, em que Fukuyama viu o fim da história, esse tipo de caracterização se tornou precário, visível apenas enquanto persistiu a Guerra Fria. Tivemos a ilusão dos transbordamentos neoliberais, insuficiente também para atender as demandas sociais e posto em questão pela mais recente crise mundial em que deixou exposta a sua vulnerabilidade à falta de regulação.
Apesar das proclamadas intenções da sociedade multicultural e do culto à diversidade, volta e meia se reproduzem em nosso meio os comissários do povo, estes que se acham no direito de fabricar dossiês e impor o que entendem como controle social dos meios de comunicação. Acreditam-se uma espécie diferenciada de vetores da história, indispensáveis para que haja avanços na boa direção, conforme seus desígnios.
No Chile, depois da hegemonia do pacto da esquerda entre socialistas e democrata-cristãos, a direita venceu. Aqui no Brasil seria impossível porque o que seria traduzível como direita se declararia à esquerda ou na mais branda das hipóteses ao centro-esquerda.





