Uma eleição que interessa ao mundo
A eleição do presidente dos Estados Unidos, que acontece hoje, é tão importante para os norte-americanos como é para o mundo. Por isso os olhos de todos os povos estão atentos para o que ocorrer neste dia de decisão na poderosa nação ao norte das Américas. Não há indiferentes, e a humanidade inteira assume posições, mais contra George Bush e, por eliminação, a favor de qualquer outro que fosse o concorrente, mas no caso o democrata John Kerry. Tal tendência é demonstrada pelas pesquisas realizadas, que não significam voto mas revelam opinião. O Brasil está entre os contrários ao guerreiro presidente. O episódio de 11 de setembro de 2001, se deveria comover o mundo em favor dos Estados Unidos, parece haver fortalecido ainda mais as posições ante-americanas, não por aprovação ao violento atentado, que dizimou milhares de vidas, e sim pela lição que o fato representou e que todos desejaram bem aplicada. As manifestações de todas as partes do planeta demonstraram essa tendência. Se é certo que, um ou outro que venham a ocupar o poder, nos próximos quatro anos, terá a mesma arrogância de imaginar os Estados Unidos a nação guardiã da humanidade, um governo democrata acena com mais possibilidade de paz no mundo. Assim como Bill Clinton não molestou ninguém em seu mandato e dedicou-se a questões mais de seu estilo, inclusive as amorosas. Make love e dont make war, diriam os pacifistas, e menos mal. O fato não é aleatório, porque para os puristas americanos e eles são numerosos e influentes a invasão ao Afeganistão e ao Iraque, por exemplo, e o morticínio que se sucedeu, não foram nenhum escândalo como o affaire do presidente com a estagiária e as mentiras atribuidas a ele em torno do acontecimento. Naturalmente que o candidato democrata, mesmo tendo na retaguarda um partido de linha mais pacifista, não é contrário a reações pelas armas. Ele acaba de declarar, com a mesma intensidade raivosa de Bush, que vai caçar, capturar e matar os terroristas. Mais um bravata do que razão para susto, havendo maior temor não por isso mas pela instabilidade do mundo com a permanência de Bush na cadeira presidencial mais decisiva e poderosa do globo terrestre. Porque perfilam em seus ideais forças vivas da nação como os investidores, os cristãos evangélicos e os eleitores homens casados. John Kerry conta com o apoio do eleitorado jovem, dos afro-americanos, dois hispânicos, das mulheres, dos sindicalistas e dos solteiros estes pouco dispostos a ir morrer nas guerras patrocinadas pelos EUA e das comunidades mais da paz e amor. A fúria do presidente Bush redespertou, nestes dias de campanha, o reaparecimento inclusive de Ossama Bin Laden, que muitos julgavam morto ou já sem fôlego mas que, ao contrário, mostrou suas garras ao penetrar no âmargo do processo eleitoral americano. Uma ingerência que, se os norte-americanos praticam das mais diversas formas, não apreciam que alcance seus domínios. Kerry, que pertence à minoria católica de seu país, sinaliza para um esfriamento de tensões. Sem dúvida que o mundo precisa mais de bombeiros que de incendiários.





