Evento inédito marcou ontem a história das disputas eleitorais no Brasil. Pela primeira vez, candidatos à presidência da República participaram de um debate transmitido ao vivo por um portal da internet. Mais um capítulo sobre o aumento da participação da rede mundial no sufrágio deste ano.
Redes pessoais, microblogs, fotologs etc. Os representantes da velha política precisam se adaptar à nova realidade, em busca dos votos principalmente dos mais jovens. Estão de olho em uma fatia cada vez maior do eleitorado que está conectada. Mas até que ponto este eleitorado ''cibernético'' se deixa influenciar pelo conteúdo disponível na internet?
Não há como negar o aumento da importância do papel desempenhado pela rede mundial nas eleições 2010, em relação a outros pleitos. Mas a internet está longe de reduzir a importância de outras mídias para a decisão do eleitor.
Parte disso se explica pelo índice ainda baixo de acesso à web. Segundo estudo do IBGE, 56 milhões de pessoas com mais de 10 anos de idade acessam a internet. E mais: 104,7 milhões de pessoas na mesma faixa etária estão fora da rede.
Mas outra explicação plausível é a qualidade do conteúdo. Ambiente ''livre'' por natureza, muitas vezes é confundido com ambiente ''libertino'', onde um suposto anonimato funciona como escudo para autores de informações, muitas discutíveis.
Por isso, a importância de um controle e uma avaliação das informações postadas na internet, bem como discernir as propostas e os candidatos dos ''produtos'' formatados pelos marqueteiros eleitorais.
Ainda estamos longe da realidade norte-americana - onde os internautas tiveram participação decisiva na eleição presidencial - mas que o eleitor utilize os meios de comunicação para exercer a sua cidadania e escolher conscientemente os seus candidatos.

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