Uma disputa desigual
Quando o assunto é participação das mulheres na política, o Brasil apresenta resultados vergonhosos, pois tem o pior índice de representação feminina da América Latina no legislativo federal (23,6%). A Bolívia tem 53%, Nicarágua, 46%, México, 42%, Argentina, 38%, e Costa Rica, 32%. E mesmo tendo uma legislação específica para garantir a presença delas nas eleições, quando o resultado das urnas é revelado, fica evidente a imensa desigualdade. Analisando ainda a Câmara dos Deputados, o Brasil ocupa a 152ª posição em relação ao percentual de mulheres que se elegem. O dado foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística com base em análise da organização suíça Inter-Parliamentary Union.
Um cenário difícil de aceitar, levando em consideração que as mulheres representam 51,5% da população brasileira. E se está bastante desigual no legislativo federal, em nível municipal é ainda pior. Segundo o TSE, após as últimas eleições municipais, em 2016, as Câmaras Municipais dos mais de 5.500 municípios brasileiros passaram a contar com 57.814 vereadores contra 7.803 vereadoras. Nas prefeituras foram 4.932 homens e apenas 638 mulheres eleitas chefes do Executivo, ou seja, 0,7%. O Paraná é o quarto estado brasileiro mais desigual, com 7,4% de mulheres à frente das prefeituras.
Em Londrina, dos 148 vereadores já eleitos, apenas 11 eram mulheres (a atual legislatura conta apenas com uma mulher). Segundo a pesquisadora Tereza Sacchet, do Núcleo de Pesquisas Públicas da Universidade de São Paulo, o financiamento de campanha é um dos fatores que explicam essa desigualdade. Empresas, doadores individuais e partidos preferem financiar, principalmente, candidatos homens. Nas últimas eleições federais, em 2014, as mulheres arrecadaram apenas 26% do que os homens.
Para mudar essa realidade, é preciso garantir que a cota dos 30% de participação mínima das mulheres no pleito eleitoral funcione também para o financiamento de campanha, como já é previsto por lei. A baixa representatividade feminina na política brasileira é constrangedora e a mudança depende ainda da educação das próximas gerações, com as meninas e jovens se conscientizando de que o lugar da mulher também é na política e que elas podem fazer parte desse espaço assim como os homens.





